segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

correr por correr



terminei a meia-maratona de sp 2011!
21km
1h42
de sandalias - e descalço quase no final!!!

todos os que vi calçavam tenis dessa vez.
senti uma prova muito competitiva, muito séria e sisuda.
até dá pra entender pela dificuldade dos trechos, muita subida.
dava pra ver pela intensa concentração de todo mundo - é porque é dificil mesmo!

não...
precisava de mais descontração, como a são silvestre.
acho todo esse stress competitivo muito cansativo, medalhas, revistas de corrida, suplementos, relogios e marcadores, tenis mirabolantes, planejamentos detalhados, planilha de corridas...

apenas gosto de correr.
não me inscrevi.
sabado eu nem sabia o horario da prova.
acordei, vi no site, tomei um cacau com banana e coco e fui correndo pro metro.
sei lá, assim acho legal.

um cara passou por mim durante a prova e soltou: "faz mal para os joelhos"
eu disse a ele, "é justamente o contrário"

é o que tenho percebido, porque a ultima dor que tenho sentido nas ultimas semanas e principalmente hoje depois da prova, é dor nos joelhos.

outro cara falou: "parabéns, bela passada!"
valeu!

quando cheguei aos 18km tive que parar de cansaço nas pernas e achei que a prova ia acabar pra mim naquele instante.
até então eu estava no lucro, dizia a mim mesmo, havia feito mais do que na são silvestre, mais do que em meus treinos habituais.
aí fui caminhando pelo minhocão até chegar no Ponto Chic e pegar aquela descidinha. aos poucos fui sentindo que dava pra continuar e então continuei.
nos 2 km finais tirei as sandalias e quando meus pés tocaram o chão instantaneamente voei, como um foguete sem dificuldades e com alguma energia extra surpreendente, fui disparado até a chegada onde gritei muito de alegria e dei varios socos no ar.

no geral a corrida foi tranquila, tirando a parte dos 18 km quando achei que realmente não poderia prosseguir.
eu ia sem camisa com uma imensa felicidade de correr dando gritos eventuais e gargalhadas como um louco no meio de uma alcatéia de gente que gosta de correr.



correr pra ganhar
correr pra baixar o tempo
correr pra fazer parte de um bando que corre
correr no zen, da cintura pra cima ligado ao céu, a coluna ereta, o peito queimando, a visualização do caminho, a vida a cada passada
correr no zen, da cintura pra baixo ligado a terra, as pernas em tumulto, elasticos vivos pegando fogo, buscando o centro, a raiz estabilizadora
correr porque podemos correr
correr porque podemos nos sentir vivos
correr como um sacrifício inutil que se faz coletivamente em direção a
um presente que se dá ao fato de se estar vivo
correr por correr

sem fotos, com muita alegria, esta foi minha experiencia.