pulo do gato
O sol se levanta
na morada de gelo e noite interminável
Sem avisar
Sem mover
Sem saber
que ilumina o vazio.
O sol se levanta
na morada de gelo e noite interminável
Sem avisar
Sem mover
Sem saber
que ilumina o vazio.
Pedale no sol, leve algumas poucas frutas e água ao Parque do Carmo e esqueça sem querer de levar dinheiro nesse domingo de pessoas coloridas.
Perto do Planetário, um lugar tranquilo para admirar, para ficar lá vendo os pipas, o vento é tão forte, as garotas bolivianas dormem sob a árvore.
Retire rejeitos plásticos ao redor de onde está, veja, uma moeda de cinquenta centavos esquecida no verde..
Quanto custa todo esse bem? Cinquenta centavos, cinquenta milhões, cinquenta sorrisos? Só não diga que é de graça.
Haverá algo mais caro a um adulto do que atingir a simplicidade de um momento banal, que não tem preço?
E nesse momento sinta o impulso de generosidade chegando, de querer doar o que tiver valor para outro; e quando doar, note que você se sente ainda melhor.
Pegue uma das frutas que trouxe, vamos comer.
Agora o impulso de doar a maçã para as garotas bolivianas, olhe, o molequinho delas acordou.
O impulso de doar algo que é precioso pra você agora.
Olá, aqui, para vocês.
Obrigado.
É estranho-bom-incrível que o tempo não existe. Mas acredite. O garotinho come a papinha de maçã pela colher de um delas agora.
Pedale, pedale, sol, a tarde é inteira.
E quando passar pela banca de maçãs-do-amor e ela te lembrar que "olha, é cinquenta centavos" aproveite para rir e comer uma maçã cheia de um doce vermelho exagerado que lambuza a boca.
parem as máquinas!
cancelem os vôos!
esqueçam os contratos!
Aconteceu
(todos foram ver)
que nada
o sol se enfia na terra
(ilumina outras profundezas)
Meu tio fala sobre vários assuntos e conta diversas histórias e sobre os seus projetos e são idéias tão legais que ele quer minha ajuda e participação, onde penso que existem formas diferentes para se viver, alternativas que podem ser abraçadas - não é uma vida diferente o quê você queria?
É a mesma coisa com a Bicicletada, é o mesmo com relação à minha família, era assim com a garota. As coisas do mundo te pegam.
Aí eu me pergunto quem sou eu enquanto ele fala tanto e quero saber realmente quem sou aqui e agora.
Porque não quero ser ele ou ser aquela idéia tão legal ou seus projetos para Joanópolis. Quero estar ali junto disso tudo. Mas parece que na hora eu não queria tanto assim pois me sinto navegando em outros cantos, como quem entrou num labirinto e jogou migalhas no chão para poder voltar e as migalhas foram comidas por um filhote de minotauro invisível.
Estou mais perto que da outra vez? Eles são tão diferentes, alegres, cheios de idéias, falando e brincando sobre tudo. Sinto que gostam de mim, mas me incomoda não saber onde me encaixo. Sento com eles, bebemos vinho, olho, sinto, dou risada, estou quase tranquilo e quase sem ter sete anos de idade de novo querendo voltar pra casa catando as migalhas e fingindo que aceita tudo apenas para poder ir logo embora. Então me chamo de novo, venha, esteja aqui, posso cuidar de você criança. Apenas fique aqui, seja corajosa.
Mas não é questão de suportar, resistir, enfrentar medos e bicho-papão. É outra coisa. É uma decisão de estar presente, acontece ou não acontece, segundo a segundo. E esse acontecimento é a prática.
Só quero ser eu mesmo aqui e agora.
Se houvesse uma razão, seria esta a de porquê estudo budismo.
Coloquei uma placa no meu portão "yakissoba vegetariano".
Não sabia se eu tinha macarrão em casa ou se eu tinha como atender algum pedido.
Tudo é ação quando o que falta é agir, não faltava macarrão.
Por isso botei a placa.
você busca uma forma - não há forma
múltiplos pontos formação, novas estrelas
agora é um toco na grama
os sapos ouvem mp3 - não há gravação
não sei o quê que há
vejo o rastro
que a roda deixou no chão
quando partimos há pouco