Qual é o melhor refrigerante?
É um texto interessante sobre a coca-cola, o famoso desentupidor de pia, mas de autor anônimo, então não sei. Até porque ele exime qualquer importância do extrato de coca e essa é uma discussão que parece mais polêmica ao contrário do que ele afirma. A conclusão é óbvia.
Afinal quem não sabe que refrigerante é tudo química?
Como na era da desinformação saber é quase o mesmo que não saber, parece que revelar a fórmula do refrigerante em termos puramente "químicos" de concentrações de sal e açúcar à uma sociedade entoxicada e familiarizada com produtos químicos é mais simples que entrar na questão do narcotráfico e das famílias cocaleras de Bolívia e Colômbía que são mortas e expropriadas de suas próprias raízes culturais porque os EUA que financiam todo esse jogo, decidiram que uma folha de coca é o mesmo que uma carreira de cocaína e obviamente, a Coca-Cola só tem esse nome por um acaso.
Mas a discussão da presença ignorada e destrutiva de produtos industrializados é muito necessária.

"Na verdade, a fórmula "secreta" da Coca-Cola (CC) se desvenda em 18 segundos em qualquer espectrômetro-ótico, e basicamente até os cachorros a conhecem. Só que não dá para fabricar igual, a não ser que você tenha uns 10 bilhões de dólares para brigar com a CC na justiça, porque eles vão cair matando.
A fórmula da Pepsi tem uma diferença básica da CC e é proposital exatamente para evitar processo judicial. Não é diferente porque não conseguiram fazer igual não, é de propósito, mas próximo o suficiente para atrair o consumidor da CC que quer um gostinho diferente com menos sal e açúcar.
Tire a imensa quantidade de sal que a CC usa (50mg de sódio na lata) e você verá que a CC fica igualzinha a qualquer outro refrigerante adocicado e enjoado.
É exatamente o Cloreto de Sódio em exagero (que eles dizem ser "very low sodium") que refresca e ao mesmo tempo dá sede em dobro, pedindo outro refrigerante, e não enjoa porque o tal sal mata literalmente a sensibilidade ao doce, que também tem de montão: 39 gramas de "açúcar" (sacarose).
É ridículo, dos 350 gramas de produto líquido, mais de 10% é açúcar. Imagine numa lata de CC, mais de 1 centímetro e meio da lata é açúcar puro... isso dá aproximadamente umas 3 colheres de sopa CHEIAS DE AÇÚCAR POR LATA !...
Fórmula da COCA-COLA?...
Simples:
Concentrado de Açúcar queimado - Caramelo - para dar cor escura e gosto;
Acido ortofosfórico (azedinho);
Sacarose - açúcar (HFCS- High Fructose Corn Syrup - açúcar líquido da frutose do milho);
Extrato da folha da planta COCA (África e Índia) e poucos outros aromatizantes naturais de outras plantas, cafeína, e conservante que pode ser Benzoato de Sódio ou Benzoato de Potássio, Dióxido de carbono de montão para fritar a língua quando você a toma e junto com o sal dar a sensação de refrigeração.
O uso de ácido ortofosfórico e não o ácido cítrico como todos os outros usam, é para dar a sensação de dentes e boca limpa ao beber, o fosfórico literalmente frita tudo e em quantidade pode até causar decapamento do esmalte dos dentes, coisa que o cítrico ataca com muito menor violência, pois o artofosfórico "chupa" todo o cálcio do organismo, podendo causar até osteoporose, sem contar o comprometimento na formação dos ossos e dentes das crianças em idade de formação óssea, dos 2 aos 14 anos. Tente comprar ácido fosfórico para ver as mil recomendações de segurança e manuseio (queima o cristalino do olho, queima a pele, etc.).
Só como informação geral, é proibido usar ácido fosfórico em qualquer outro refrigerante, só a CC tem permissão... (claro, se tirar, a CC ficará com gosto de sabão).
O extrato da coca e outras folhas quase não mudam nada no sabor, é mais efeito cosmético e mercadológico, assim como o guaraná, você não sente o gosto dele, nem cheiro, (o verdadeiro guaraná tem gosto amargo) ele está lá até porque legalmente tem que estar (questão de registro comercial), mas se tirar você nem nota diferença no gosto.
O gosto é dado basicamente pelas quantidades diferentes de açúcar, açúcar queimado, sais, ácidos e conservantes. (...)
Refrigerante DIET
Quer saber a quantidade de lixo que tem em refrigerante diet? Não uso nem para desentupir a pia, porque tenho pena da tubulação de pvc...Olha, só para abrir os olhos dos cegos: os produtos adocicantes diet têm vida muito curta.
O aspartame, por exemplo, após 3 semanas de molhado passa a ter gosto de pano velho sujo.
Para evitar isso, soma-se uma infinidade de outros químicos, um para esticar a vida do aspartame, outro para dar buffer (arredondar) o gosto do segundo químico, outro para neutralizar a cor dos dois químicos juntos que deixam o líquido turvo, outro para manter o terceiro químico em suspensão, senão o fundo do refrigerante fica escuro, outro para evitar cristalização do aspartame, outro para realçar, dar "edge" no ácido cítrico ou fosfórico que acaba sofrendo pela influência dos 4 produtos químicos iniciais, e assim vai... a lista é enorme.
Depois de toda essa minha experiência com produção e estudo de refrigerantes, posso afirmar:
Sabe qual é o melhor refrigerante?
Água filtrada, de preferência duplamente filtrada, laranja ou limão espremido e gelo... mais nada !!! Nem açúcar nem sal."
(Autor anônimo)
De skate nessa

O pessoal compareceu em peso na bicicletada de janeiro e todos estavam muito animados. Foi genial.
Sem bicicleta na ocasião resolvi levar meu velho skate e rolou um passeio bem divertido pelo centro da cidade com a ajuda camarada da Aruana, do Mathias e do João que emprestaram a propulsão de seus pedais sem hesitar, ei valeu!
Para a próxima já devo estar com a bicicleta dobrável. Vai ser interessante estreá-la e sem dúvida, mais prático de levar no metrô da estação Patriarca até a Consolação.
Um ano de praça do ciclista. Vida longa!
Essa foto acima e outras mais da massa crítica de janeiro no apocalipse motorizado.
Troca de marcha
A língua que entendo o vento sopra no rosto.
Do horizonte nas frestas dos prédios, cidade sitiada.
Pedalo para viver.
Seguir em frente, sanguínea correnteza.
Circule com vigor quanto em delicadeza.
Jogging para todos
Os velhinhos esticavam as pernas ao redor do córrego podre do Gamelinha.
As gerações passadas tombavam sem ruído nas varandas e nos pomares dos sítios. Hoje caminharam logo ao raiar do sol numa procissão até o jornal nacional.
E vão viver para sempre.
entonces

(Manara)
2007 é o ano da bicicleta
"Não porque as montadoras pretendem reduzir a venda de carros, mas porque até um marciano percebe que a prioridade exclusiva ao transporte motorizado individual é absolutamente insustentável."
(apocalipse motorizado)
Desse texto do Thiago Benicchio veio a idéia para o flyer da massa crítica de janeiro. A gente se encontra lá na praça!

É claro que sonhos são confusos
"Spider hoped this odd ghost-woman would go away soon.
He couldn't think straight"
(Anansi Boys, Neil Gaiman)
O portão é maciço e você sabe que deve atravessá-lo, como no épico de Milton repleto de simbolismo mítico envolvendo números, chaves e distinções de dentro e fora, caos e ordem e lugares de onde vir e para onde caminhar, por elementos racionalmente organizados e divididos a partir do entorno caótico e inalcançável que derrete os objetos da compreensão num quadro de Dalí.
Uma segunda voz estaria te murmurando que isso é fruto de consciência flutuante, é você quase despertando para "entender" onde está e o que se passa e ainda que dissesse a si mesmo que está sonhando, de quê isso lhe serviria para capturar o significado de tal sentinela monolítico e sem propósito enterrado nas areias escuras do nada, testemunha de um deserto de sibilantes ventos?
Você sonha. Não sabe disso. Não dessa vez.
É um daqueles sonhos em que não há sonho e nem sonhador, como aquele chinês com a borboleta digamos que é tudo aqui.
É assim quando se chega no local mais "importante". São portas que levam a outras portas? É preciso ir a algum lugar? Por que não entrar?
Na distância, o vento carrega a areia para novas dunas que surgem enquanto os dias passam indiferentes. É algo sagrado-bizarro como em 2001?
Não.
É tão trivial como num filme chato e o sonho escorre como gelatina mole da tigela.
Quando acordar já terá passado por muitos outros portais e arcos e separações do aqui e do ali enquanto os olhos se debatem num agitar frenético até captarem a luz familiar do dia que não pode explicar muita coisa e nem como retomar viagem ao velho portão, miragem dos ventos e areia inventada, coisa inexistente que não solidifica em objeto de entendimento e significado, viciosa ampulheta de tempo que você sacode e atenta para os grãos que caem e você escreve no papel para não esquecer e joga areia para todo canto, imagens, dias e números, distinções que tornam tudo mais fabuloso e longínquo; perguntas tão reais quanto areia de sonho.
Direto: você vê um portal no meio do deserto, você já não está mais ali.
Ciclovida e as sementes naturais
"Buscamos realizar uma tarefa, a de fazer um levantamento sobre as sementes naturais, partilhando uma preocupação com os rumos que estas estão tomando sob a ofensiva da dominação da indústria do agro-negócio e suas metas de em pouco tempo controlar de todo o processo produtivo do setor agrícola a partir da apropriação das sementes. Hoje ainda restam algumas sementes como o milho, feijão, arroz, entre outras que fazem parte do cotidiano dos plantadores. As sementes mais ameaçadas hoje são as das hortaliças, que já receberam um tratamento de enfraquecimento genético para que não se reproduzam nas mãos de quem as plantam.
Falamos da contradição que pode ser uma Reforma Agrária, onde o agricultor toma posse da terra ao mesmo tempo em que perde a posse das sementes, que significa também a perda da autonomia frente ao processo produtivo no campo agrário.
Relutar para não perder a posse das sementes naturais e por uma nova relação social de produção e do ser humano com a terra é uma condição, “sine qua non” para buscarmos a reversibilidade do reequilíbrio da vida na terra."
(Projeto Ciclovida)
Ah sim, eles estão usando as pernas e a bicicleta como motor de locomoção em sua viagem que vai do Ceará até a Argentina!
Antes que alguém aponte o dedo com desdém para esses dois "loucos" pergunte se no mundo em que vivemos alguém consegue apontar com firmeza o que seja "loucura" sem cair em contradição.
Loucura pode ser não conseguir comportar no mesmo plano da realidade várias e diversas formas de viver e se relacionar.
Respeito à singularidade me parece ser a semente para aquilo que o mundo mais precisa que é o oposto do ódio e da indiferença: compaixão e principalmente, CURA.

Obrigado
Noite agradável.
Os gatos se esticam na calçada.
Há muito o que se aprender com seus bigodes e o quanto eles se oferecem.
"Este sou eu" de barriga para as estrelas.
Um gato pode tocar com o nariz a ponta do firmamento.
Depois vai virar para outro lado brincar e não cansar.
Ouço a conversa ruidosa do vizinho da frente como ondas.
O sentimento inflou este sou eu até arrebentar.
O que arrebenta o mar.
Do tamanho das mãos.
Estava aqui como quem não pega a água.
E sentado estica lá para o alto baixo de toda parte.
E solta.
Para toda parte.
A porta aberta
Pronto. Ela se foi agora. Como é sentir isso?
Como culpá-la? Do que mais ele precisa para o melodrama?
Então basta.
O ano começa realmente novo.
E quando você quer viver, como você começa?
Pra onde vai, quem precisa conhecer?
O mantra desse ano é folha de outono ou então trabalho.
Continua escrevendo.
Sua vida acontece assim. Aos trancos de um teclado quebrado dentro de um texto cheio de rabiscossfkfsjf e atrasos no prazo de entrega.
À noite não dorme. Triste e agitado, revira-se na cama sem conseguir deter-se.
Logo o pequeno branco começaria a pedir para entrar como é de seu costume.
Faria o esforço de sempre para ignorá-lo mas são as pulgas que ele não quer. E como culpá-lo por carregar em si aquilo que não vê?
Como permitir a solidão refletida no gatinho que continua seu lamento de gritinhos miúdos se é algo que ele pode evitar porque agora sente?
Pensamentos sobre pulgas são assim pequenos agora.
E então depois de sete meses o tolo vencido deixa-o entrar.
É como acontece, você simplesmente abre a porta de novo.
Que todos venham, fica o aviso, todos os gatos ronronadores e suas pulgas invisíveis e espertas do mundo são bem-vindos aqui.
Como culpar qualquer um por carregar em si aquilo que não vê?
Depois de um tempo você acaba percebendo que não há mais outra escolha a não ser deixar a porta aberta.
Simbionte
Depois do jogo de cartas dividira-se em duas ilhas e agora encontrava-se no meio da travessia à nado de uma até a outra.
Contava as braçadas, como se fosse feito para tal, contando em alto-mar até quinhentos e depois de novo, quando não parecia haver mais como chegar.
Os eventos de uma vida, talvez a sua, entravam por um funil como sonhos distantes, daqueles que estão prestes a escapulir da memória, e aconteciam com uma outra figura, aquela outra da ilha, afastada de seus braços, esticada num longo túnel escuro esperando, acenando, vivendo por ele. Não era ele. Era o simbionte.
A viagem para Madagascar, aquela burrada do dia vinte quando tudo começou, o nêmesis no corredor ou o que quer que aquilo tenha sido. No meio do jogo ela lhe mostrara uma foto, um naipe e...conchas azuladas...
Uma golfada de água salgada entrava pela garganta.
Duas gaivotas. Um golfinho. Nenhum barco. Alto-mar.
Preocupava-se eventualmente com o excesso de sal e com a possibilidade de que se parasse ali se afogaria como um cachorro morto. Não era bom parar para se preocupar. Não podia parar. Não podia sonhar. Mas os sonhos retornavam, gotejantes cascatas de água doce na outra extremidade do braço, do túnel onde ele divisava o simbionte com olhos trêmulos e salgados.
Voltava a contar.
Ouvia o barulho tépido das pequenas ondas e um pernilongo ou outro que incrivelmente, ele se surpreendera com essas aparições, cruzava-lhe o caminho, rumo a outras ilhas.
Burroughs e seus gatos
"A melhor hora para afagar um gato é quando ele está comendo. Essa não é a hora de acariciar um cachorro. É bom acariciar um gato adormecido. Ele se estica e ronrona enquanto dorme. É melhor não incomodar os cães que estão dormindo. Eu me lembro no festival de poesia em Roma, quando John Giorno e eu descemos para o café. Um cachorro grande dormia no chão.
- Esse é um cachorro muito manso - disse John, e se inclinou para afagar a fera, que rosnou ameaçadoramente e mostrou os dentes amarelos".
(Williams Burroughs, O Gato por Dentro)
Todos os momentos se perderam no tempo
Na areia

(Sunna No ona, "Woman in the Dunes", Hiroshi Teshigahara, Japão, 1964)