segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

12:02

De repente vem um ano e você simplesmente tem mais fibra.
Fibra de perceber. De suportar.
Percebe que não vai ter explosões nesse natal a não ser de artifício.
Que é tudo armado, como na tevê, "a magia do natal e blábláblá".
Lembra da tristeza de cão que sentiu em alguns anos atrás, como se tivessem te enganado, apunhalado mesmo, porque por mais que negasse havia aquilo que ardentemente esperava lá no fundo, essa "magia" de merda, essa que não acontecia nunca e então era ficar ali com aquelas caras de sempre nada mágicas, você mesmo, o mesmo.

Não dessa vez.
É sem explosões a não ser as de artifício.
E tudo bem.
O natal nunca mais foi o mesmo e nunca mais será.
Você não volta a ser o que era, isso não acontece.
Mas tudo bem também. Você deixa isso pra lá, é assim, cada ano vai ser mais um pouco de aprendizado na arte de não ficar inteiramente louco com a vida. E que natal afinal é doação. O que você pode doar? Você que está preso aí dentro de você, o que pode doar de você?

Eu só queria pôr um pouco as coisas pra fora do meu jeito.

Sinto essa...prisão.

Sua prima te abraça e diz que te admira e que entende o seu jeito, e que não importa o que as outras pessoas da família possam pensar de você e poxa, isso foi bonito da parte dela, quem mais ali iria me dizer algo parecido?
Abraço ela, abraço.
Você sabe que não consegue expressar muita coisa lá em família e nem sabe se tem algo para expressar. Apenas deixa o tempo lá escorrer.
Respira.
Bebe vinho.
Às vezes lembra-se que sorrir é mais agradável do que não sorrir.
Não sabe direito pra onde ir. Para onde ir???
É isso.

Foi bom que conseguiu fazer a introdução na hora do amigo secreto, foi bom ter agradecido ao seu pai antes de dar o presente pra ele, você estava mais sólido, está mudando.

Sim, você queria uma vida mais plena e mais...pra fora. E tudo o que você tem é o que você tem.
E no resto do tempo sente que não tem nada pra trazer pra fora. Sente em tudo ao redor, aquele calmo desespero, o falar agitado e louco, sem sentido. De sentir tudo preso em você, isso que sempre te deixou meio louco. E você se surpreende de achar que mesmo isso está bem.
Será que ainda assim posso ser amado?
Droga, se bobear vou querer chorar, não, não hoje, não mesmo..

Estou velho.
Não ganho mais os presentes de antes, os carrinhos e video-games, a paparicação toda. Não tem mais um borrão na cena como nos sonhos que passavam em alegria e chocolate, na inconsciência cheia de possibilidades e contentamento. Agora tudo ficou real, a tristeza é presente.
Agora meu primo mais novo fica no meu lugar e ganha um computador e fico feliz por ele.
Meu pai está velho. Senta no sofá e cria raízes ali, talvez ronque.
Minha irmã está com o namorado. Acho que ele faz bem pra ela. Ela estava legal, eu acho.
Minha mãe...Não sei o que dizer pra ela, é mais um ano, feliz natal, tudo de bom...
Estamos bem? Estamos felizes? Está tudo bem? Vai dar tudo certo?
Quando que você começa a aceitar que existe mudança?
É por isso que todas as mulheres na sala choram e ficam abraçadas e grudadas quando dá meia-noite.

Eu não sei. Fico olhando tudo aquilo e estou sólido como uma montanha, mesmo depois de todo o vinho. Não me pergunte como. O que eu me pergunto é, como eu consigo sobreviver? Não vejo um palmo à minha frente. Mas logo estarei cantando algo do Marillion, triste e feliz e louco.
E tudo bem que você volta para casa sozinho. É estranho mas é bom.
Não é como era. É outra coisa.
Você observa os outros natais nas outras casas, as pessoas que andam na rua depois da meia-noite, os fogos e os abraços, as pessoas sozinhas passando ou nas varandas das casas, uns tantos olhando pra sabe lá o quê.
Respiro e continuo respirando e quando saio da casa da minha tia e vou para a rua logo me vejo cantando. Triste, feliz, com tudo o que tenho, não adianta, quero ser feliz, quero amar, ser amado, essas coisas bestas.

Preciso cantar. Posso cantar. Isso é tudo.

Pedalo pra casa no ar fresco da noite depois da chuva e canto.
Só assim sinto que posso pôr algo pra fora, expressar o que lá dentro não conseguia sair, não podia, não queria, sei lá.
E poder responder a essa armadilha do tempo da qual também não consigo escapar.

Sim, eu quero desejar felicidade para todas as pessoas.
Feliz natal.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

A bicicleta humaniza o trânsito

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Maya

Ela disse que não queria me iludir.
Apenas me ignorou.
Trinta mundos criados da febre, o paraíso possível, canções de amor e dor. Tal infelicidade.

"The meaning of life
A hair falls out of place
Cover my eyes
Dangerous colours and shapes
And when she moves
Cover my eyes
(Pain and Heaven, Marillion)

"Um obstáculo real à felicidade é esperar por demasiada felicidade"
(Fontenelle)

domingo, 10 de dezembro de 2006

If my heart were a ball it would roll uphill

Did you ever dream of falling
And find you couldnt move
Did you give up
And discover that you havent given up

Did you ever dream of falling
Did you ever fall in love

(Marillion)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

p'ra já

fecha pálpebra
torres de pedra, séculos, janelas, poeira, descaroçadores de batata
abre pálpebra

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

dinossauros petrificados boquiabertos em oceanos congelados na escuridão

200 anos de medo, dente e saliva
balada do tótem da lua que clama
sangue por mais sangue
em cartaz

é tudo ou nada quadro a quadro
joão maria capim cavalo
24 vezes iludido por segundo

foi ao entrar no cinema da santa ignorância
deu loop era a pipoca perfeita
a luz que eu queria a caverna útero
a sessão sempre por começar