pedalero
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Dia sessenta e um
o cacto
e sua terapeuta existencial
quis saber
o que ele pensava
tudo na superfície
sonhos, jogos, devaneios
a secura sem fim
isso não é mais por causa d´isso
não vale a pena discutir
a existência dos mandacarus
quando terminou a sessão
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Dia cinquenta e oito
contar do mundo
três vezes eu mais exclamações
vezes três tantas e frustrações
leve em conta e desconte
quieto zero à esquerda
e ao centro depure
respire
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Dia cinquenta e dois cúmulus nimbus
A rua aqui dentro
O tempo lá fora
O passado que corre
E vai jogar bola
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Dia cinquenta e um além
Engordo três quilos, mesmo com exercícios, correndo, nadando e me alimentando saudavelmente.
A idéia de fumar ficou de fora por um tempo longo.
As idéias, os hábitos, as palavras, as percepções, as formaçoes mentais, os desejos, as atitudes, tudo isso se agrega no que costumamos chamar de "sou eu". Um agregado que está condicionado por alguns fatores para ter se unido neste ponto e esses fatores que mudam de tempos em tempos de forma impermanente.
Estou na cabeça com os ecos de "o Dharma de Guerras nas Estrelas", que é um livro bem divertido e lúcido, me parece, sobre budismo, meditação e ...Jedis, os monges zen das estrelas!
Agora vou nadar. Domingo tem torneio interno da academia e estou empolgado em fazer uma boa distância em cinco minutos de crawl.
Prática.
Mudança contínua.
Calma para a mente.
Calor no coração.
Que todos os seres vivos possam receber a dádiva dos oito ventos da boa respiração.
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Dia quarenta e sete
todas as palavras são vazias
tamarindu
entranhado
azedinho
esvoaçante
alegria
amanhecente
não é pra dizer
tanto que te atravessa
três kilos de couve-flor do avesso
mil livros do Leminski e et cetera
deserto cheio de estrelas
telaviv ternura e todas elas
sábado, 9 de setembro de 2006
Dia quarenta e um
minhas 7 quedas
minha primeira queda
não abriu o pára-quedas
daí passei feito uma pedra
pra minha segunda queda
da segunda à terceira queda
foi um pulo que é uma seda
nisso uma quinta queda
pega a quarta e arremeda
na sexta continuei caindo
agora com licença
mais um abismo vem vindo
(Paulo Leminski)
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Dia trinta e seis
O que quer que se viva e uma tal forma de viver, pode ser que seja importante para os dias que virão, para os dias que não virão, no parque do Ibirapuera, trouxe o chimarrão, frutas, granola e a nova garrafa térmica bonita, os pássaros cantam, sinto essa brisa suave e o aroma do bosque, trouve o livro da Arte Cavalheiresca, trouxe este caderno, meu intuito é não-pensar, meu intuito é essa tarde, sem subterfúgios, é a tarde, uma vida para lá de estranha, às vezes sinto medo, uns quilos, não o medo de antes, aceito que é para lá que estou indo, para lá de estranho, sem palavras, sem aceitar nada que nada vai mudar, essa tarde nunca foi manhã, vou para o fim, sem pensar, tomo meu chimarrão, é de um jeito, não vejo, são os sons e os pássaros e a brisa no bosque, para dias que não virão, no meio dos passantes, a nuvem esconde o céu, a garota descobre o rosto, o ronco da cuia no final, sem encontrá-la, escrevo para dizer nada, não vou a lugar algum.


