Dia sete

Acontece assim: acordo assustadíssimo. Levanto e tranco a porta do quarto. Corro para a janela e fico espiando, respirando rápido e com o coração disparado, não sei o que se passa, por que levantei assim desesperado? Será que tem alguém...
Mas não é isso e não sei porque o medo, até que percebo que foi mais um daqueles horríveis sustos sem explicação na madrugada.
Sento na cama, cabisbaixo, e tento retomar o meu ar. Adormeço num nada e já estou no sonho. E estava quase tocando algo importante que devia aprender, que devia saber! E acordo pensando, talvez eu estava sonhando com...e já não lembro.
Bem cedo hoje os gatos miam mais do que o comum em frente à porta do quarto e resolvo levantar mas me sinto imprestável e de outro planeta a manhã toda.
Procuro cochilar. Aí sinto o susto chegando de novo como uma série de imagens desconexas e loucas que fazem disparar meu coração. Levanto e estou cansado com um sono ruim e não consigo falar uma palavra do que sinto a ninguém enquanto o dia passa.
Sonhe. Tente esquecer.





Dia seis

Acendo mais um incenso.
Limpo a casa.
Muita poeira todo dia, dor e incompreensão.
O novo gatuno branco que apareceu já se enturma com os gêmeos pretinhos.
Lá na praça as crianças brincavam de esconde-esconde até o sol descer. Eu não sei o que eu sentia. Muito? Nada?
Acho que vou voltar a nadar.
Eu nado, tu nadas, tudo nada.





Dia cinco

Compro chá de maçã e de gengibre entre outros mantimentos. É dureza, uma compra pequena mas que já leva muito dinheiro.
Tomo chimarrão à noite. Respiro muito. Dessa vez não há mais maço escondido nem idéia oculta que eu pretenda manter, então sei que há muito ar para respirar.
Tomo água. Quando penso em fumar acendo um incenso e dou uma longa inspirada na fumaça aromática e me sinto bem.
Lutar contra um vício faz tão pouco sentido quanto aderir a ele. Se nada existe, bem, então aparece um vício. Se nada existe, bem, então aparece um vício e depois a luta contra um vício. Acho que é só isso. Estou profundamente cego e impaciente, de saco cheio. Deja-vus que não entendo, essa loucura que não aceito, bato cabeça e não aceito.
Como um pacote de chocooky em vinte minutos.





Dia quatro

Noites ruins, pesadelos, pior ainda é acordar. Meu corpo dói. Este lugar não faz sentido. Minhas palavras não se articulam a nada. Vou sair e gastar dinheiro, ver Superman de novo, depois voltar, cansar, depois não importa, não vejo o depois mas sei que ele está lá.
Reencontro um velho amigo. Sinto-em envergonhado e sujo e amnésico. "Você está sozinho?"
O maço escondido acabou e agora não há mais nada a fazer a não ser acordar. Antes também não havia outra coisa.





Dia três

Percebo que era um caminho que não levava a lugar nenhum. Mas o pior é que agora não há caminho nenhum, nem propósito ou felicidade e quase não sei se há desejo de felicidade. Vou ficando louco mais um pouco, a diferença é que agora há um tema ou uma causa.
Penso continuamente que poderia ser pior, que existem lugares como o Sudão.
Procuro, como fiz da outra vez, informações que grudem na cabeça, como por exemplo, que oito em dez pessoas no Brasil gostariam de parar de fumar e que no século XX morreram 100 milhões de pessoas sendo que a estimativa da OMS para o século XXI é de 1 bilhão de mortes no mundo.
Estou preocupado com este fim-de-semana. Achei um maço escondido e tenho certeza do que vai acontecer.





Dia dois

Essa noite tive os piores pesadelos, daqueles que você não consegue sair, não consegue acordar. Levanto aflito e inteiramente desorientado.
Poucas esperanças.





Dia um

Bebo mais água, para ter o que fazer.
De noite passo na Frei Caneca e o policial todo festivo me pergunta:
- Aí filhão, tem aquele isqueirinho aí?
- Não, não tenho mais, parei.
- Ah...Tá fazendo bem, é mesmo.
É por isso mesmo, para ter o que fazer.





Esse contínuo ar (dor)

São os dias que passam.
Fumo o último cigarro.
Entra a guitarra de Jeff Buckley tocando The Last Goodbye e entra esse ar de definitivo que pode me fazer quebrar em dois, desiguais. E sem o fazer, o ar me quebra pelas bordas. Volto a música inúmeras vezes na cabeça que já não sei por onde vim nem qual é a última lembrança que não quer passar.
A música continua, repete e repete. O que eu tanto quero, por uma fresta que não alcanço. Seria o caso de irmos caminhar ao sol?
O último inverno, a última letra, tudo que é último pois termina, sem mão forte que o mantenha ou dente ávido que o morda na fronte, quando era este ou tanto igual o louco pedido - me agarre e não largue jamais! Por que tenho que sempre dizer adeus?!
Sinto dessa fraqueza de tudo e para tudo o que for Deus peço, me ajude, oh, me ajude, porque preciso e como é tão fácil me perder, como é tão estupidamente fácil, este pequeno bobo que pede agora pelos céus e terras baixas, por amigos distantes e fotos amareladas, pelo tempo que desconheceu e por toda a cegueira que paira onde se dissolve esse contínuo ar.
Dou de mim então um sorriso que só sei, um sorriso baixo e azul de ser também um beijo e um pedido louco, por favor me beije, não deixe aqui parada essa coisa teimosa e cega de continuar dor.





Adorava essa história


(Filme de Roger Corman, 1964, adaptado do livro de Edgard Allan Poe)





"A mulher fez a ligação. Sabia de memória o número do telefone do hospital. O médico identificou-se quando responderam, depois disse rapidamente, Bem, muito obrigado, sem dúvida a telefonista perguntara, Como está, senhor doutor, é o que dizemos quando não queremos dar parte de fraco, dissemos, Bem, e quando estávamos a morrer, a isto chama o vulgo fazer das tripas coração, fenômeno de conversão visceral que só na espécie humana tem sido observado."

(Ensaio sobre a cegueira, José Saramago)





Saravá

Foi bom hoje não ter saído para longe de bicicleta. Estava raivoso e algo poderia sair errado. Disse isso pra ela no telefone. E ela, "eu não te entendo."
Então por que continuar tentando? Não há o que entender. Estou com raiva. Que parte disso ela não entendeu?
Saio. Não estou com fome mas quero mastigar alguma coisa, afinal, não comi quase nada hoje; e se caio morto de repente? Talvez beber uma cerveja também.
Estou na rua do Carlos, o cara das plantas. Dois gatos exercitam seu silêncio em frente a uma casa de varanda e muro baixo, muito bonitinha. Fico ali com eles por uns dois minutos. Duas moças passam pela calçada e eu digo oi. Elas hesitam, por meio segundo, e uma delas retribui outro oi. Depois de mais um minuto, alguém de dentro da casa da varanda surge por uma porta no fundo da casa e eu fico encabulado de estar na frente de sua casa como se fosse um maluco ou coisa pior. Tudo isso enche o meu saco. Queria não ter saído mas já saí. Hoje não há um único lugar nessa droga de universo paulistano genial.
Passo pelo Habbib's da radial leste, depois do metrô Patriarca, e dou um tempo lá na frente pensando se entrava ou não. O ambiente lá dentro parece deprimente demais, até para os parâmetros de um domingo de classe média típico, com Faustão, Copa do Mundo de merda e companhia. Continuo pedalando.
Depois do morro alto, desço do outro lado no bairro da Guilhermina. Lá na esquina tem a esfiharia que eu tinha ido outro dia onde fazem ótimas fogaças. Prendo a bicicleta no poste e peço uma cerveja e duas fogaças de queijo enquanto pego uma cadeira e sento em frente às mesas postas lá na calçada.
Um cara atrás de mim repete um mantra milhares de vezes para um outro, "era você no sábado passado, você tava muito louco, eu não queria confusão, só queria meu dinheiro de volta e etc." E o outro cara, "não, não era eu, você tem certeza?" "Era, era você, você tava muito louco, eu não queria confusão, só o meu dinheiro e etc."
Estou oco. Não importa.
Depois de uns vários minutos as fogaças chegam, fumegantes e gordas de recheio. Sim, são muito boas.
Escuto ao longe um som abafado de "I´m so glad I´m a woman".
Os motoqueiros continuam fazendo entregas saindo constantemente.
Um garoto e uma menina brincam lá na calçada. O garoto aponta um canudinho para os carros que passam e destrói todos eles, incansavelmente. Acho isso demais. A menina sorri como se dissesse, "sim, você é incrível mesmo, não há dúvida" e volta-se entretida em querer colocar um canudo dentro do outro.
Ensino a eles a atirar papelzinho pelo canudo. "Crianças, isso é para vocês fazerem em casa, atirem em tudo o que vocês virem". Como um teste para eles verem o funcionamento da arma, acerto uma ogíva bem na testa do moleque e ele fala "au" e é bem legal.
Tudo isso é bom e a cerveja também. Mas eu pareço mergulhado num inferno qualquer apesar de tudo e sempre apesar em tudo. Foda-se né, que se foda a pieguice.
Então foda-se e começa a pingar, que o tempo tem seus afazeres. Deixo dinheiro com a moça atarefada lá dentro da esfiharia e solto a bicicleta do poste. Corro para evitar a chuva que começava. Enquanto pedalo estou pensando que parar de fumar desta vez está bem mais difícil que da outra vez. Joguei o maço fora e já estou pensando em pegá-lo do lixo quando chegar em casa. É foda de pensar, "por que fumar?". Mais foda ainda é pensar "por que não fumar?" Não me venha falar de saúde, pelo amor.
E é quase chegando na Patrocínio Paulista que vem aquele cachorro idiota.
Desta vez eu não estou bonzinho e nem paciente e ele não sabe disso. Pelo contrário, parece que desta vez ele veio mesmo com tudo, babando sua baba idiota e acelerando em direção à bicicleta. Eu pedalo forte e lá está ele bem perto do meu tornozelo, o puto. E desta vez não. Desta vez não apenas ameaço chutá-lo para que ele se afaste.
Meto uma solada bem no olho do bicho e sim, ele se afasta.
E saravá.





Fim do labirinto de lodo.
Hora de voltar aos velhos corredores e habitar o lugar.
Foi assim com o meio-touro, há milênios.
Eu só queria que o amendocrem não tivesse acabado.





Arrebentação

"Estou de férias".
E eu quis entender o que ele tinha me dito.
Disse férias com um sorriso que quem diz "férias" geralmente não usa. Dentes escondidos, lábios trêmulos, cara de sala de espera. Sorriso de quem filosofara a esse respeito e concluíra que havia um caráter negativo em "estar de férias", que era tão aleatório como seu pólo oposto "estar trabalhando" e ao que ele recusava sem parecer saber o que enfiar no lugar e que portanto aderia. Procurava se enfiar. Ele trabalhava. Sobrevivia. E era isso. Mas estava "de férias".
Havia algum tipo de trabalho a ser feito, não havia?
Não disse.
Estava em suas férias semi-permanentes, o que queria dizer que de certa forma ele não estava realmente trabalhando, no working, não estava ao dizer da palavra, funcionando.
Mas havia mais nele e nesse não-funcionamento, coisa que nem eu nem mais ninguém parecíamos estar aptos a tocar ou a puxar, como uma rede de pesca longa e estendida na noite sonolenta do mar em recuo agitado, a extremidade da rede quase sem fim e as espumas das ondas que se agarravam ao entrelaçado das cordas, insistindo nessa captura noite adentro das frias espumas brancas.
De volta às águas, de volta para a arrebentação, dormindo.
Num sonho que quer se sonhar. Num sonho que quer se acordar.
"Estou dormindo, alemão, é isso aí."
Seis da tarde. Talvez fosse tudo uma grande besteira. Quando chega a hora de bater o cartão de ponto da coisa real.
Queria saber por onde ele andou.
Outro dia peguei um livro de aforismos de Epicuro e me lembrei dele.

"Nascemos uma única vez, uma segunda vez não nos é dada, e não nasceremos mais por toda a eternidade. Apesar disto, adias constantemente o instante certo e não és dono do dia vindouro. Nesta vacilação, porém, desvanece-se a vida e muitos morrem, sem jamais se terem permitido um verdadeiro descanso."





Gesto

Metrô Barra Funda, 7:30 da noite.
Sei que vou encontrar um lugar para sentar, estou perto da via.
Mas tem tanta gente para entrar no vagão... Todos entram de olhos fixos como eu, direto ao lugar para onde se encaminham meio tropeçantes e do qual desejam tomar posse e se acomodar. Finque a bandeira e grite lá dentro, "é meu e ninguém tasca e ufa, que agora posso descansar que não guentava mais."
Consigo um banco. (Ufa, é meu e ninguém tasca e...)
O metrô anda.
Uma moça está de pé ao lado do banco onde estou sentado.
Foi isso. Ela era bonita? Hum, atraente sim. Mas talvez pudesse ter acontecido de outro jeito, com outra pessoa, mas enfim, foi isso.
Sinto uma vontade então. Estamos na estação Marechal Deodoro, uma estação depois da Barra Funda e percebo que quero ceder o lugar para ela.
Hesitação. (Que raio é isso que você quer, sem plano, sem xaveco, sem intenção de ganhar nada em troca!)
Mas a vontade. A possibilidade de poder fazer um bem, de fazer um bem para ela. Posso fazer aquilo e sinto que quero fazer aquilo e ali não me importava se eu ficaria o trajeto inteiro até a Patriarca de pé e eu nem pensava e não sei se pensei em tudo isso tão rápido; eu escolho.
Então me levanto e aponto para o banco. Ela pergunta se eu já iria descer e respondo que não. Então ela se oferece para segurar minha mochila. Eu digo, obrigado. E ela responde, obrigado a você, num tom de "essa é a coisa mais inusitada que pode acontecer num metrô".
E talvez seja bem inusitado mesmo. Sabemos que a gente vive no meio de gente demais, demais, de forma que não dá tempo de sentir algo por alguém que não seja na base do toma lá da cá. São vultos na maior parte do tempo, gente demais que vem chegar muito próximo de você, fisicamente. É preciso uma operação da mente para deixar de ver e se importar com tantas pessoas ou então você fica louco. Muitas preocupações, pessoas demais, como gado que vem e que vai. Você não sente a vontade, a vontade de sair de você e ir em direção ao outro e fazer um bem ou o que parece ser um bem, a ele ou a ela. Coisas pequenas, coisas assim.
Mas quando a vontade vem, aí é que está. É preciso estar preparado. Ou você vai deixar passar. Porque é irresistível demais não permitir que você saia de você. Essa é a grande parada da cidade, a sensação de individualidade que é uma reluzente espada afiada de samurai com dois gumes. E você pode hesitar. Você pode vacilar. Você pode fazer o automático do deixa a vida me levar, geralmente do mesmo jeito, do ufa e ninguém tasca.
Pensei em conversar com a moça mas decidi que melhor que não houvesse conversa. Queria sentir aquela sensação mais inteira, queria ficar no gesto inesperado que para mim bastava, queria passar por aquilo. Foi meu desejo.
Você sente isso e aquilo. Quando a vida acontece é tudo rápido demais. Gestos viram borrões. Mas houve um gesto. Há uma ética em que se vive mesmo que não haja tempo para pensar.
Ela se levantou na estação Penha e falou, obrigado, de novo, e sorriu e eu sorri.
E foi só e bom e assim. Como uma coisa que felicita e que sabemos como é.
Podem me chamar de romântico agora.





Diálogo sobre a felicidade, Santo Agostinho

Estava lembrando de umas passagens do livro de Santo Agostinho que estou lendo esses dias, sem pensar muito nas palavras ou na lógica ou na retórica, mas ao invés disso, era como experimentar as idéias ao redor como uma roupa que se veste; poder sentir o seu comprimento e o seu toque na pele. Acho que essa era minha forma de pensar.
"Se quer bens e os tem, é feliz; se, por outro lado, quer coisas más, ainda que as tenha é infeliz."
Sem uma moralidade exaltada. Parece-me que algumas coisas são más porque te fazem sentir mal e isso pode não te impedir de continuar desejando e fazendo força desmedida para algo que talvez valha pouca a pena. Bens podem ser coisas más. Coisas do capeta podem ser muito boas. Talvez seja preciso cuidado para não querer exorcizar coisas de si para não correr o risco de perder partes importantes ou tavez vitais do ser.
A questão que me rodeava, entretanto, era com relação à medida das coisas. O quanto de tal coisa é bom e o quanto de uma mesma coisa começa a ser mal? Acho que os gregos sempre discutiram sobre o equilíbrio e o comedimento como virtudes apreciadas e era isso que eu via agora em Santo Agostinho, sob uma noção talvez mais próxima, a de um racionalista incansável que viveu sob o impacto da bomba do Cristianismo. Quer queiramos ou não, o peso dos dogmas cristãos não deixa de se fazer presente na sociedade ocidental, até hoje, lá dentro das cabeças, positivo ou negativo, libertário ou repressor, de algum jeito, não é de todo indiferente.
"Não será por causa das coisas que ele tem que será feliz, mas pela moderação de sua alma."
Moderação. Uma ética de uma boa vida!
Será que há algo mais importante do que saber viver bem? E o que é viver bem? E como se vive bem? Ah, mas não se pode falar da vida enquanto se vive! Não sei, será que é só um jogo reflexivo? Bem pior, será que é auto-ajuda? Acho que existem jogos bons e outros jogos ruins. Acho que o plano da ação para o homem contemporâneo mostra-se reduzido, o que não significa que de fato esteja, mas pode ser que muita coisa volta-se para a subjetividade, para um lugar onde se busca uma entidade, um eu, vezes e vezes e vezes. Ou talvez a gente possa aprender sim algo valioso dessa reflexividade e tavez existam mudanças.
Acho que sou feliz quando sinto que posso escolher. A coisa não é simples. Isso pode ser tão enganoso! Há muitas escolhas que alguém pode fazer nesse mundo, não há? Ou será que não...Há uma diferença entre aparência e realidade, como sabemos (ou não sabemos). Entre o que se diz e o que se faz. Poder escolher não é o mesmo que ser obrigado a escolher e aí falamos do que parece um leque infinito de possibilidades de escolha mas isso é a aquela mesma imagem da busca da interioridade do homem de hoje na sociedade em que vive e de uma ética, que se contrói, do excessivo, do sempre mais, do imoderado, de forma a abarcar aquela falta de um porto.





Quartas

Tende para o lógico para mim que o Brasil não leva essa Copa.
Mas torcer não leva em conta essa lógica, como sabemos, então não deve-se levar isso em conta.
Então a França. Medo.
Vou assistir na casa da Dinha e talvez por isso o medo. Em 98 nós vimos o jogo lá e foi como foi...
Mas vou lá mesmo assim, para torcer claro, ligeiramente desencanado também, naqueles estados possíveis que comportam uma grande flexibilidade esquisita na qual os acontecimentos exigem mil e outras formas de acreditar em algo e se distanciar e continuar acreditando e se distanciar e olhar de forma renovada e ainda a mesma, capaz de se emocionar como sempre se fez, o desejo líquido, ilógico, que pulsa criança que corre para o parque depois de abertos os portões.