Subverta





Intermezzo - Jardim de inverno

Trouxeram dos montes oitocentos pergaminhos
De mil voltas cada um e certa seda enlaceada
Mostram letras antigas que cabem na unha do gato
Descarregaram-nos ontem e pouco ou nada foi explicado
Tomo um chá agora mas lembro dos pergaminhos
É estranho pensar que são absolutamente inúteis





And I just can't explain so I won't even try to

There's gonna be some trouble
a whole house will need re-building
and everyone I love in the house
will recline on an analyst's couch quite soon

Your Father cracks a joke
and in the usual way
empties the room

Tell all my friends
(I don't have too many
just some rain-coated lovers' brothers)

TIRED again - TRIED again

Now my heart is full
Now my heart is full

And I just can't explain
SO I WON'T EVEN TRY TO

(Now my heart is full, Morrissey)





1:18 amnésia

Toquei no núcleo, intacto
Mas minhas palavras desistem
Viram titica





Maré Baixa

O fluxo necessário das marés alterna-se em altas e baixas.
Agora é retração.
O urso partiu para os montes longínquos, o coração desacelerou, tudo é espera.
Inverno.
Quem o entende?

(As luzes continuam piscando, das sirenes, das cidades, do grito que não quer ter fim. Dessa disritmia que nos consome)

Pedalo devagar.
O tanto que me cabe.
Preciso entender, aceitar, quem sabe.
Mas só vejo o circo pegar fogo.
Não quero mais tempo. Nem menos.
Quero todo o tempo.





Para estas noites de frio



Mochileira

Mochileira deite comigo esta noite
E conte aquela velha história
De como as noites são claras em Machu Pichu
E os dias dourados na Califórnia

Moça eu não vou precisar
Ler na sua mão pra saber
Que você não vai voltar
Pra vida maluca das pessoas
Do mundo
Das formigas tentando
Se esconder da chuva

Pedro saiu numa barca pro Nepal
Vera estava em Amsterdã
Por que não tentar algo mais divertido
Que casar com executivo
E acabar achando excitante
A reunião semanal da confraria
dos amantes das delícias da boa
Velha tecnocracia

Dance mochileira que eu toco a guitarra...

Moça eu sei que não é legal
Ficar sozinha quando o velho medo vêm
E esta noite em Cuzco é tão fria
Me passe a garrafa de vinho
Sim eu posso ver
Que os tempos têm sido maus com você

Mas os Deuses eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquanto durar essa farra
E você depois é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva

Dance mochileira que eu toco a guitarra...

Letra: Geraldo Roca
Voz e violão de 12: Almir Sater





Quem sabe não fala

O desmesurado desejo irrompendo sem peias é o que mais buscamos e com efeito o que mais tememos. Porque quanto mais vivo voce se torna - é curioso apontar essa qualidade flutuante - mais vulnerável também lá por dentro.

No fim das contas e dos tempos, não há diferença alguma entre a fragilidade do homem feito e uma criança encolhida no escuro. O coração, ao contrário do sertanejo, é antes de tudo um fraco. Não resiste a toda à poeira do mundo. E o que mais desejamos queima como fogo selvagem, não tanto um sentido para a vida, mas aquilo que Joseph Campbell chamou de "experiência de estar vivo".

Os taoístas dizem assim:
Quem sabe não fala.





Canalha!

É uma dor
canalha
que te dilacera
É um grito que se espalha
Também pudera
Não tarda nem falha
Apenas te espera
Num campo de batalha
É um grito que se espalha
E uma dor
Canalhaaa!

(Petardo de Walter Franco)





Transe

Este pedalero está em transição.
Mas agora há enfim um espaço para comentários.

Sim Chinita... é lento mesmo, maravilhoso. Estamos com pressa de quê se este é o nosso tempo afinal?

Bem agora.