Consuma somente o necessário
"O princípio da produção máxima, formulado de maneira bem simples, afirma que quanto mais produzimos do que quer que produzimos, tanto melhor. O êxito da economia do país é medido pela elevação na sua produção total. O mesmo se dá com o sucesso de uma companhia. A Ford pode perder várias centenas de milhões de dólares pelo malogro de um dispendioso modelo novo, mas isso é apenas um pequeno azar enquanto a curva de produção subir. O crescimento da economia é visualizado em termos de produção cada vez maior, e ainda não há visão alguma do limite em que a produção deveria ser estabilizada.
Não é apenas a produção industrial que é governada pelo princípio da aceleração contínua e ilimitada. O sistema educacional tem o mesmo critério; quanto maior o número de diplomados no curso superior, tanto melhor. O mesmo acontece nos esportes: todo novo recorde é encarado como progresso. Mesmo a atitude para com o tempo parece ser determinada pelo mesmo princípio. Salienta-se que "este é o dia mais quente da década" ou o mais frio, conforme o caso, e suponho que as pessoas são confortadas, no seu desconforto, pelo sentimento orgulhoso de que são testemunhas da temperatura recorde. Poder-se-iam apresentar indefinidamente exemplos do conceito de que o constante aumento de quantidade constitui a meta da nossa vida; na verdade, é a isso que nos referimos como "progresso".
Poucas pessoas formulam a questão da qualidade, ou de que vale todo esse aumento em quantidade. Essa omissão é evidente numa sociedade que não mais está centrada no homem, na qual um aspecto, o da quantidade, sufocou todos os outros.
Se o princípio econômico dominante é o de que produzamos cada vez mais, o consumidor deve estar preparado para querer - isto é, para consumir - cada vez mais. A indústria não depende dos desejos espontâneos do consumidor de quantidade cada vez maior de mercadorias. Fabricando objetos que devem cair em desuso, ela o força a comprar coisas novas quando as velhas poderiam durar muito mais. Através de mudanças no estilo de produtos, vestidos, bens duráveis e até mesmo de alimentos, ela o obriga, psicologicamente, a comprar mais do que poderia necessitar ou querer. Mas a indústria, em sua necessidade de produção aumentada, não se subordina às necessidades e desejos do consumidor, dependendo, consideravelmente, da publicidade, que é a mais importante ofensiva contra o direito do consumidor de saber o que quer.
(Erich Fromm, A Revolução da Esperança, pag.50)
O autor deste blog está muito satisfeito, obrigado, com a bicicleta que usa desde 1996. Percebeu que pode viver muito bem sem ter que contribuir com a Ford ou outras fábricas de armaduras brilhantes que se digladiam todos os dias.
Deseja adotar a magrela definitivamente como meio de transporte em São Paulo, conjugada com outros meios coletivos.
Bicicletada Lost Highway!

Deixe-me ir preciso andar vou por ai a procurar rir pra nao chorar
Palavras, palavras, palavras.
(Estarao sem acentos por enquanto)
Queira despejar centenas delas e serao somente palavras.
Mudarão o mundo, trarão a guerra e nada mais que po - a vida
se afasta num vao de rocha oculta.
Deixe-me que a chuva falara por mim
hoje.
E o texto do garoto da montanha:
Tudo que morre fica vivo na lembrança (...)
"Nos Estados Unidos, o governo de Bush discute o desenvolvimento de armas espaciais. Armas que ficariam orbitanto em volta da Terra e que com um simples comando poderiam atingir um alvo móvel na terra. Um destes programas de armas espaciais se chama "Bastiões de Deus". Ele visa arremessar cilindros de tungstênio, titânio e urânio dos limites do espaço para destruir alvos em terra, atingindo velocidades de cerca de 11.500 quilômetros por hora e com a força de uma pequena arma
nuclear. Este é só um exemplo. As loucuras que eles discutem são bem maiores. É o mesmo governo que se diz contra a pesquisa com células tronco oriundas de embriões humanos por se dizer a favor da vida. Eu nunca vi, mas deve ser odiosa a imagem do cristão George Bush numa igreja orando a Deus.
***
O Brasil deveria crescer em média 5% a.a para que daqui a 20 anos atingisse o mesmo grau de desenvolvimento do Chile. Isto representa uma meta difícil, a começar pelo nível de educação de sua população. O crescimento econômico por si só não garantiria diminuição da desigualdade social. Também, crescimento econômico implica que a cada ano a população deverá aumentar o seu nível de consumo. Resumindo, é duro acreditar, mas a gente não passa de meros consumidores.
Bem, eu poderia adotar uma visão mais positiva da vida, mas isto me traria um desconforto pois eu estaria me auto-iludindo. A verdade é amarga mesmo. Daqui alguns anos, quando olhar para o céu, não sei se conseguirei mais divagar, poetisar ou fazer qualquer coisa mais amena. Eu vou olhar e pensar que lá bem no alto, atrás das das nuvens que se metamorfoseiam, estarão armas apontadas para mim.
Os incomodados que se retirem. Vou pedir carona ao Pequeno Príncipe em seu cometa, quando ele por aqui passar novamente."
Sapere Aude (Ousa Saber)
Nosso amigo João dá a dica:
"Nada substitui a presença das coisas".
(Albano Martins)
Vida
Este blog esta absurdo hoje. Como Camus escreveu e tambem sentiu.
Hoje um tio querido morreu. Logo que soube de seu estado critico desejei muito que ele continuasse por aqui mais um pouquinho. Ah, essa urgencia! Não podemos viver permanentemente despertos quanto as questoes da vida, mas quando essas questoes aparecem, nao ha o que se dizer ou fazer, talvez apenas pensar ou lembrar.
Mais um pouquinho.
Queria falar com ele, falar como falo hoje, com as palavras, a mente e meu coração de hoje. Dizer que estava começando a sacar da sabedoria e do algo a mais que agora vejo, era a vida dentro dele. Queria mostrar minha admiração por isso
tudo e minha surpresa, de haver descoberto a pouco essa mesma vida dentro de mim.
Bicicletada Ole Na Chuva!

A chuva lavou São Paulo mas não levou a Bicicletada!
Bicicletada extraordinária: vamos dar um ole na chuva!
O que e?
A Bicicletada é uma pedalada mensal para celebrar e reivindicar os direitos e o espaço de quem usa transporte não-motorizado nas ruas.
Quando?
Desde a sua 32a edição, a Bicicletada paulistana passou a acontecer sempre na última sexta-feira de cada mês, em sincronia com os movimentos de Massa Crítica (critical mass) ao redor do mundo. A 33a edição da pedalada foi prejudicada pelo maior temporal dos últimos 37 anos (veja o relato aqui). Mas não desistimos: estamos de volta na próxima sexta-feira (03/06), às 18h, Paulista X Consolação (ao lado da casinha de polícia).
Como participar?
O único requisito é estar munido de um veículo não-motorizado (bicicleta, patins, patinete, etc).
* É altamente recomendado usar o equipamento de segurança básico (capacete, luzes ou refletores).
O que levar?
Na Bicicletada, hierarquia e burocracia são substituídas por xerocracia. O site da Bicicletada (www.bicicletada.org/sp) tem um arquivo de panfletos. Imprima, tire xerox e venha para a rua. Se preferir, crie a sua mensagem e traga para o encontro. Vale ainda fazer placas, faixas, música e o que a sua imaginação permitir.
Venha participar desta festa por uma cidade mais agradável, menos poluída e menos agressiva.
Ocupe a rua, ela também é sua!
(Texto: apocalipse motorizado)
Gato bengodudo

Chinitz...
E ai Pedalero?
Eu choro pelo fim da infancia, pelo fim da inocencia e de tudo isso.
E continuo, vibrante e incrivelmente vivo, vivo, vivo.
Esse sou eu. Queria gritar.
Hum, bem, já estou gritando...
"I found a home in the darkness" (Fish)