sexta-feira, 20 de maio de 2005

Se liga na próxima quarta-feira



A todos os que já pedalam em São Paulo!
Aos que pensam em pedalar em São Paulo!
Ou então àqueles que pensam no direito de ir e vir com opções mais inteligentes e saudáveis numa cidade que seja
menos poluída e mais agradável para viver, está aqui o convite!

É mais uma Bicicletada!
Protesto, ativismo e ocupação legítima do espaço público com criatividade, bom-humor e espírito crítico.
Pegue a velha e boa magrela porque vamos ocupar as ruas na próxima quarta-feira!
Maiores informações no site www.bicicletada.org
Vai lá!

terça-feira, 17 de maio de 2005

Cenas que gostaríamos de ver

Bruce Willis, após alguns sonhos agitados, acordou e viu-se transformado numa gigantesca barata.

Para Daniele, que viu o sol nascer

Segue em frente,
tudo o que é vivo
está em voce.
O sol brilha
e é por isso mesmo.

Nemo prudens punit quia peccatum est sed ne peccetur

(Nenhuma pessoa responsável castiga pelo pecado cometido, mas, sim para que não se volte a pecar).

"Portanto, condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa da Capitania de Minas Gerais a que com baraço e prégação seja conduzido pela ruas públicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em o lugar mais público della será pregada, em um poste até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos , e pregados em postes, pelo caminho de Minas ao sitio de Varginha e das Sebolas aonde o Réu teve suas infames praticadas, e aos mais nos sítios de maiores povoações até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Camara Real e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve em memoria a infamia deste abominável Réu".

www.suigeneris.pro.br

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Hoje o show!


"Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar"
(Antônio Machado)

Dia após dia, fica mais alto.
Mais forte.
Algo começou lá atrás e seguiu com tonalidade própria.
As escolhas, os caminhos. Os tateios na escuridão.
Dois brindes hoje.
Um ao Adriano. Esse putão arrogante que me mostrou o Fish.
Outro ao próprio escoces maluco que vai me fazer usar kilt hoje.
E vamu virá essa porra!

State of Mind
(Fish)

I don’t trust the government, I don’t trust alternatives.
It’s not that I’m paranoid, it’s just thats the way it is.
Every day I hear a little scream inside/
Every day I find it’s gettin louder.
I just want to reach out and touch someone,
’cause I find I need a friend in this dark hour.

We the people are gettin’ tired of your lies.
We the people now believe that it’s time.
We’re demanding our rights to the answers.
We’ll elect a president to a state of mind.

I trust in conspiracies, in the power of the military.
In this wilderness of mirrors here, not even my speech is free.
Every day I hear a little scream inside.
Everyday I find it’s gettin’ louder.
I just want to reach out and touch someone.
’cause I find I need a friend in this dark hour.

We the people want it straight for a change.
’cause we the people are gettin of your games.
If you insult us with cheap propaganda,
We’ll elect a president to a state of mind.

Every day I hear a little scream inside.
Every day I find it’s gettin louder.
I just want to reach out and touch someone,
’cause I find I need a friend in this dark hour.

When we the people have our backs to the wall,
Do we the people then assume control?
When it’s too late to stop our own execution,
When we’re faced with the final solution,
You can’t elect a dream revolution
When you’ve a bullet in the back of your mind.

It’s just a state of mind.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

We will take the field!

Que saco ajeitar esse blog!
Vou desencanar eu acho viu e meter tudo em flash...

Hum...que sono...Pedalada longa hoje. Mas consegui o ingresso!!
Quarta-feira, show do Fish, talvez eu vá de kilt de novo.

A primeira canção do último trabalho dele (Fields of Crows), dá o tom. Chama "The Field" e foi basicamente o que eu fiz hoje nas ruas.

Da Vila Matilde ao Tatuapé, depois até a Bela Vista e a 24 de Maio no centro, seguindo para a Sumaré e depois o Olympia, meu caminho foi consciente e alegremente marcado por uma, digamos, ocupação do espaço. E é a bicicleta que te possibilita isso, essa ocupação do espaço a que me refiro é objetivamente poder chegar onde voce quiser, através dos seus meios, no caso, suas forças e o girar da corrente.

Subjetivamente isso significa o que? É voce sentindo a maravilhosa autonomia que a bicicleta proporciona depois que se enfrenta o medo de uma ação diferente, aparentemente insana que é pedalar em São Paulo como meio de transporte. E não é insano, foi o que descobri. Insano é passar não sei quantas horas dentro de um carro de vidros fechados.

E foi hoje também que descobri outra novidade. Foi que existem pessoas nas ruas.
Curioso. Alguns ciclistas passavam, indo ou voltando do trabalho, fazendo entregas e eu os cumprimentei. Será que estamos todos paranóicos e com medo de tudo, apenas preocupados com nossas contas para pagar? Não. A resposta que eu tive foi muitíssimo calorosa e afetuosa, todos me dando a sensação que eu estava talvez numa região diferente dessa cidade, ainda por descobrir.
Sim, e aí a gente vai descobrindo, pedalando, olhando e sentindo com tudo o que brotar e borbulhar dessa rede de nervos e explosoes vivas que está aí dentro de voce também, e descobrimos a liberdade.

A tempo! A canção que o Fish canta na quarta-feira:

"We will take the field!"

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Transição

O vento espalhou as cascas de árvore.
Na casa livros e esse pó infindável, o chão
continua sempre.
Me lembra o caminho de um vagabundo iluminado.

Kisimbiê



terça-feira, 3 de maio de 2005

Fotos da Bicicletada de 29 de abril



Como aborrecer um guarda
Efraim Kishon

A falta de estacionamento é uma das causas da crise existencial na qual se debate a humanidade de hoje. A não ser nos Estados do Bloco Oriental, ainda não foi encontrada uma solução para o problema em lugar nenhum. A situação, pelo contrário, agrava-se dia a dia. Nos Estado Unidos, uma entre cinco pessoas é dona de um carro. Em Israel, uma entre cinco pessoas é guarda de trânsito.

Sentados no terraço do nosso café predileto, Yossele e eu saboreávamos nosso café expresso predileto e observávamos, apaixonadamente, as placas de "Proibido estacionar" ao longo da calçada. Nessa hora, ao anoitecer, costumávamos abrir o "Gambit-Expresso", também chamado de "Jogo de Adoção de automóvel". Mas, por enquanto, nenhum guarda de trânsito tinha aparecido. Demorou bem uma hora até que se mostrasse o primeiro representante dessa simpática espécie, esbelto, elegante, de passo gingado e bigode aparado.

Com intensidade febril esperamos que ele parasse diante de um carro esporte, encarnado, estacionado entre duas placas de "Estacionamento proibido", e tirasse do bolso do blusão o talão de multas. Na hora em que ele ia começar a escrever, ou seja, no momento apropriadíssimo, Yossele levantou-se de um pulo, e, com dois passos, estava ao lado dele.
- Pare, pare! - fungou. - Eu só entrei um minuto...só pra tomar um cafezinho...
- Senhor - respondeu a Lei - explique isso ao juíz de trânsito.
- Mas se eu só entrei um minuto...
- O senhor está perturbando um ato oficial!
- Verdade, só para um café rapidinho...Que tal se o senhor desse um jeito, excepcionalmente, senhor inspetor?

O guarda foi preenchendo o formulário da multa com uma lentidão gozadora, preendeu-o no pára-brisa e olhou penetrantemente para Yossele:
- O senhor sabe ler?
- Certamente.
- Então leia o que está escrito nessa placa.
- "Estacionamento proibido de 0 a 24 horas" - murmurou Yossele, num tom constrito. - Mas por causa de um minutinho...por uma coisinha à toa...
- Só mais uma observação desse tipo, senhor, e aplicarei também o artigo 17, por ter estacionado longe da calçada.
- Está vendo? - perguntou Yossele. - É essa a razão pela qual as pessoas odeiam os senhores.
- Artigo 17 - respondeu o guardião da ordem, preenchendo novo formulário de multa. - E se o senhor continuar a me provocar, terei de prendê-lo.
- Por quê?
- Não lhe devo explicação alguma, senhor. Seus documentos!
Yossele os entregou.
- Senhor! Seu seguro social não me interessa. Onde está sua carteira de motorista?
- Não tenho.
- O senhor não tem carteira de motorista? Artigo 23. Tem certificado de propriedade? Recibo de taxa rodoviária? Seguro obrigatório?
- Não.
- Não?
- Não. Mas eu também não tenho carro.

Silêncio. Um silêncio pesado, paralisante.
- O senhor...não tem...carro? - O Olho da Lei piscava, nervoso.
- Sim, mas...de quem é, então, esse cabriolé vermelho?
- Como é que vou saber? - replicou Yossele, já um pouco aborrecido. - Eu só parei aqui para um cafezinho. É isso o que estava tentando explicar ao senhor o tempo todo. Mas o senhor não quis escutar...

O Orgão Oficial ficou pálido. Suas mandíbulas se movimentavam silenciosas, embora rítmicas. Devagar retirou a segunda multa do limpador de pára-brisa e rasgou-a em pedacinhos, com expressão de profundo pesar. Depois desapareceu na escuridão.

Em suma: uma tardezinha divertida.