The same old cliché
Não gosto do Orkut.
Não gosto de ouvir antigos coleguinhas imbecis perguntando "o que voce virou?" apenas para ouvir a resposta "eu virei um xaxim".
Não gosto de ouvir na tv que "o Dia das Mães é considerado o segundo melhor dia em vendas".
Que porra eu tenho a ver com isso?!!
Vão a merda!!!!
Eu só quero aumentar a birosca do volume da minha cabeça!!!!!!É pedir demais?
Meus Deus, será que não podemos ser inteligentes droga!!!!!!!!
Ah, vão dormir!
Bicicletada nessa sexta!

É na Paulista com Consolação.
Alertando sempre que existem possibilidades mais inteligentes de locomoção. E lutando pela não obrigatoriedade de ser motorizado, estressado e apático com o fluxo bizarro de veículos (que tem gente dentro!). Lutando também para não ser obrigado a respirar ares irrespiráveis.
18h
E depois tem festa desobediente no vão livre do Masp, em "comemoração" aos 40 anos de genocídio cultural que vem sendo executado sem dó (mas com o maior profissionalismo) pela Globo.
19h.
Vai lá.
Quem me lembra é o sempre bem-informado apocalipse motorizado.
Quinta-feira
Hum...lembrei de como é o frio...
Outro tempo
Eu e a Tha em Bragança. Outro tempo.
Cozinhamos na lenha. Desistimos de ir comprar gas. E pareceu absurda essa idéia depois de ver o quanto de lenha havia ali no sítio, de galhos caídos em quantidade.
Nos viramos. Outro tempo. Longe das comodidades que são tão boas mas que acabam com a habilidade do ser humano de viver dignamente porque promovem deliciosos excessos.
O Paçoca dorme. Enche o saco o dia todo, pula e me suja a roupa, esse puto. Agora dorme. Acompanhou a gente o caminho todo a noite pela estrada iluminada apenas pela lua.
Hoje não me tras (com s, incrível) a memória de nenhum dia da semana ou de fim-de-semana ou de qualquer outro dia. Com quinze anos isso me fazia ficar vermelho de raiva porque significava estar perdendo festas. Com vinte eu não sabia onde estava.
Se com vinte e tres não tinha palavras, foi só um tempo depois que começo a encontrar alguma forma de entender esta passagem.
O sol apareceu de manhã brincando com tons de roza que era seu jeito de abrir o horizonte. "Olha teu caminho aí!"
Agora se foi. Que horas são?
O Paçoca agora sacode seu corpo magrelo enquanto respira no sono e sonha talvez.
Um cenário tranquilo e sereno é belo. E é um estado de espírito. Na verdade, é o que o nosso espírito mais deseja, e que, como um chines já disse, "raramente encontra".
Ando e olho para estas coisas vivas e breves, para este tempo outro, indiferente e inatingível. Os pensamentos em si não eram a coisa. Estou ali com essa coisa de pensar e esta também não é a coisa. O que vem é um passar, por detrás desse mecanismo todo de cortinas e pálpebras que escondem a montagem que acontece naquele grande palco.
Festa da irmanita

Pintamos esse painel que está ao fundo desta imagem na mesma tarde da festa. Eu, Chinita, foi bem divertido.
Fui juntar algumas fotos pra inserir no blog e acabei fazendo essa colagem toda aí. Acaba sendo uma colagem da festa e uma referencia afetiva a minha irma.
Referencia afetiva?!
De onde vem essas coisas?...
Parque do Carmo
Chego por um caminho diferente, passando por uma avenida entupida, fedida e feiosa, e que me leva até a Estrada do Pessego pela sua porção até então desconhecida por mim, desembocando no lugar que minha mãe chama de "Peixinhos", uma mistura de aquário, parquinho e bancas de flores e plantas.
Quanto tempo será que leva para vierem com a idéia genial de dar nome de algum político imbecil para a Estrada do Pessego? A avenida Águas Espraiadas queriam mudar pra Roberto Marinho, mas não sei o que aconteceu disso.
Passei por lugares novos no parque, que apesar de descuidado, como o Piqueri, é muito bonito. Num momento eu e a bike encostados num banco de frente aquela magestosa árvore. Vou comer parte de minhas provisões. A placa "Respeite, um carro a menos", está a mostra, eu não sei se é isso mas chamamos a atenção dos que passam.
Começo a desenhar a árvore. Uma mulher para e pergunta se eu escrevo. Mostro o que estou fazendo. Ela se aproxima e diz gostar de poemas. Enquanto rabisco o que vejo lá na frente, ela vez ou outra diz uma frase, uma rima, qualquer coisa que tenha enxergado em sua mente e que são construções mal-feitas e triviais, mas com uma beleza triste também e que consegui ver. Depois ela fala de sua vida, dos seus amores frustrados e do quanto se sentia perdida e sozinha ao vir de Minas. Pergunto se ela conhece Drummond, ela diz que não teve muita educação.
Termino a árvore e ela ainda ali, a árvore, que nunca se terminou. Atrás da folha, escrevo o trecho de um poema do velho gauché, que dizia "Que gozo na bicicleta! O essencial é viver.(...)". Entrego pra ela, é presente. Seria a coisa mais diferente do mundo se eu fizesse isso, mas não poderia ter feito outra. Ela reage com a reação supernatural de pegar o papel e não entender a lógica daquilo. Nem eu. E nem tem lógica. Nos despedimos e foi o fim de um encontro com outro ser humano.
Feriado
Não sei de Tiradentes.
To empolgado com o mapa em Flash que estou fazendo, nem vejo o tempo passar. Mas não sei se um dia pude ver esse tipo de coisa.
Novos tecidos e fibras da existencia
20 de abril. Calor forte.
Escrevo que o começo desse ano me fez esquecer da existencia do frio e que já não lembro de como é a imagem de pedalar com blusa na mochila.
Nesse dia o sol de um alaranjado vivo e cambiante estava há uns tres dedos do horizonte quando me levantei.
Escaneei fotos antigas do arquivo de minha mãe. Minha intenção é de preservá-las e se possível repará-las. Gostaria de operar essa digitalização também com os velhos vhs's, mas aí já é tarefa que envolve recursos que não disponho no momento.
Cuidei também de pensar no mapa de mobilidade ciclística, ou como eu assim o chamei. Decidi como fazer mas descobri que é um trabalho imenso e não sei no que estou me metendo. Continuo. Só acho que nós ciclistas que pensamos nosso espaço nas ruas (e os que ainda não pensaram nisso) merecemos o site novo do Bicicletada, merecemos essa nova agitação que está acontecendo por aí, merecemos crescer em número e visibilidade nas ruas e merecemos um bom mapa de trajetos ciclísticos pela cidade (leia-se "mapa para se locomover por São Paulo como voce bem entender).
Minha disposição no que se refere a certas atividades pode ser descrita pela frase de Jean Cocteau que inseri no site do Sobraphe, "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez".
Sou idealista. E todas as atividades de real importancia para o espírito humano envolvem mudanças de paradigmas da mente - tarefa de gigante!
Quase que a totalidade das ações de nossas vidas em sociedade hoje descambaram para um enxerto de futilidades bancadas por um individualismo caprichoso sempre reforçado.
Não é possível mudar nada? Será mesmo? Vamos reforçar e sustentar outros tecidos de nossas existencias cara-pálida!
Quando eu encontrar Deus
Claro que acredito em Deus. Ainda está pra nascer o homem que pode andar com suas próprias pernas metafísicas numa existencia que te enfia diretamente no pó. Mas Deus também é uma palavra, como diria o poeta, e vasto é o espaço dentro do coração de qualquer um.
Exploraremos, haverá dor e continuaremos.
Deus pra mim é também inquietação, perplexidade, pergunta sem resposta. Deus também é o que sobra depois das perguntas e não chega a ser resposta.
O terror do homem no mundo fodendo com tudo também é Deus. Como é que é?!
Uma bolha de gás na imensidão do gargalo cósmico. O agito e a terrível explosão de supernovas. Números, ondas, a partícula de que não se ouve falar. A frase dita e desdita, a linguagem impossível de Wittgeinstein. A luta pela vida, a resistencia que se impõe frente a barbárie, a saliva e o ódio sem alarde. O homem congelado.
Deus é a sabedoria que precisamos. E Deus é a reverencia a natureza que perdemos.
Nós somos um furinho de nada na cortina do teatro magnífico da grandiosidade. Tanto esforço...E ainda lutamos no escuro por medo e ignorancia.
Atenção!!!Isto não é um teste!!!Isto não é alarme falso!!!
As luzes piscam com as sirenes.Atenção.
Deus é o "espelho perfeito flutuando no espaço".
Bergson
“Onde houver uma contradição, faça uma redescrição!
Mude a perspectiva de observação,
troque as premissas dos raciocínios,
explicite os acordos tácitos que fundam as conclusões consensuais e, por fim, submeta a sua opinião à dos outros.
No mínimo, o que parece sem sentido ganha um novo sentido;
no máximo, recuperamos o tônus da vontade de sentir, pensar, julgar e agir em liberdade”.
Post passado, deja-vu reinventado
O sol se enfia numa grande nuvem agora.
O sol volta de trás da grande nuvem e esquenta.
O cachorro preto vem pra debaixo deste banco. Ele dá espriguiçadelas ocasionais que produzem um estalido quando sua pata longa toca o mato alto e descuidado da praça.
Parou uma borboleta aqui. Desenhei. Juntou-se a outra e se foi.
Lembro do domingo.
Confiscaram minha cola na porta do Kazebre. Antes disso eu e a Chinita fizemos um deja-vu inventado que não consigo reproduzir.
Coisas idiotas assim são as mais legais.
As pombas estão acordando. O vento é diferente, pensei em chuva, está úmido. Mas não choveu. As pombas se aproximam sem temor, esses bichos urbanos, e esperam por alimento mas não tenho nada no momento para oferecer.
Já era hora de aproveitar o sol que saiu hoje.
O irmão do Israel me encontrou na esquina da Melchert com a Marcondes e me perguntou aonde eu ia e pra fazer o que. Ao seu lado direito, no poste, estava colado o "Vá de Bike" que colei quando voltei do Kazebre na quinta. Respondi por trás da barba que ia pra praça "escrever um pouco".
A resposta quase não soou estranha demais aos meus ouvidos, pode ser que existam pessoas que fazem destas coisas.

Thoreau, grande Thoreau
The mass of men lead lives of quiet desperation. What is called resignation is
confirmed desperation.
A stereotyped but unconscious despair is concealed even under what are called the games and amusements of mankind. There is no play in them, for this comes after work. But it is a characteristic of wisdom not to do desperate things.
When we consider what, to use the words of the catechism, is the chief end of man, and what are the true necessaries and means of life, it appears as if men had deliberately chosen the common mode of living because they preferred it to any other. Yet they honestly think there is no choice left. But alert and healthy natures remember that the sun rose clear.
It is never too late to give up our prejudices.
No way of thinking or doing, however ancient, can be trusted without proof. What old people say you cannot do, you try and find that you can. Old deeds for old people,
and new deeds for new. Old people did not know enough once, perchance, to fetch fresh fuel to keep the fire a-going; new people put a little dry wood under a pot, and are whirled round the globe with the speed of birds, in a way to kill old people, as the phrase is. Age is no better, hardly so well, qualified for an instructor as youth, for it has not profited so much as it has lost. One may
almost doubt if the wisest man has learned anything of absolute
value by living.
Practically, the old have no very important advice to give the young, their own experience has been so partial, and their lives have been such miserable failures, for private reasons, as they must believe; and it may be that they have some faith left which belies that experience, and they are only less young than they
were.
I have lived some thirty years on this planet, and I have yet to hear the first syllable of valuable or even earnest advice from my seniors. They have told me nothing, and probably cannot tell me anything to the purpose. Here is life, an experiment to a great extent untried by me; but it does not avail me that they have tried it. If I have any experience which I think valuable, I am sure to reflect that this my Mentors said nothing about.
Figueira

Posso ter ficado uma hora ou duas ou até mais, sentado e abservando atentamente todos os detalhes, reentrancias e cores daquela figueira.
Não era somente a quantidade do tempo - não sei quanto - mas era também a espessura diferente desse tempo. Os galos estão passando, correm e ciscam e pulam uns nos outros, brincando e marcando territórios enquanto os gatos são um tipo de divindade egípcia naquele lugar, como se ali nem estivessem, como se soubessem o caminho secreto para as coisas secretas que pouco vemos. Advindas de um outro olhar, naquele caminho, o corpo calmo mas a cabeça ansiosa por compreender como era aquela forma praticamente infinita da figueira.
Terminado o desenho olhei para o alto daquela sua copa repleta de galhos espreguiçados e as milhares de folhas...Infinita ainda não era a palavra.
Agenda
O Encontro Técnico: O PAPEL DA BICICLETA NA RENOVAÇÃO URBANA DAS CIDADES
Será realizado as 09:00 horas do dia 15 de abril no anfiteatro da Universidade Mackenzie, localizado à Rua da Consolação nXXX
O encontro está divido em duas partes, a primeira: TRANSMILENIO - RENOVAÇÃO URBANA e CICLOVIAS, será apresentado pelo sr.Oscar Diaz e a segunda: TRANSITO E TRANSPORTE PARA CIDADES HUMANAS, será apresentada por Michael King.
Oscar Diaz é reconhecido pela idealização e implementação do primeiro “Dia Sem Carro” de Bogotá. Trabalhou junto ao ex-prefeito Henrique Peñalosa na implantação do Transmilenio. Atualmente tem trabalhado na promoção dos programas de TNM (Transporte Não Motorizado) e de BRT (Bus Rapid Transit) pelo ITDP em Xangai (China), Jacarta (Indonésia), Dacar (Senegal), Acra (Gana), Hiderabad e Nova Deli (Índia).
Michael King é um especialista de renome internacional e tem trabalhado com o ITDP em diversos países da Ásia e África, desenvolvendo sistemas de transporte sustentáveis através da combinação de elementos arquitetônicos e critérios econômicos associados com o Transporte Não Motorizado, Proteção à Pedestres e Traffic Calming..
ITDP
ABRACICLO
UNIVERSIDADE MACKENZIE e
ANTP.
José Lutzenberger, esse é o cara
"Ao contrário do que acontece com as tecnologias duras, que hoje arrasam o planeta porque, ao resolverem um problema, sempre causam uma constelação de outros, as tecnologias brandas sempre resolvem vários problemas ao mesmo tempo. Um exemplo apenas: hoje um pequeno matadouro é violento poluidor orgânico do curso d'água mais próximo. Se usasse os detritos em bioconversão adequada, teria gás para um motor estacionário ou para caldeiras (diminuição de demanda de eletricidade), produziria adubo para todo um esquema da hortas ou pomares orgânicos ao seu redor (produção de alimentos de alto teor biológico) e não mais largaria material orgânico no rio (não controle da poluição, sempre ineficaz, mas eliminação pura e simples da poluição).
As tecnologias brandas, que podemos chamar de tecnologias apropriadas, podem e devem entrosar-se em sistemas integrados." (p.61, texto original da década de 1970)
"A visão cartesiana que ainda domina grande parte do pensamento científico atual coloca-nos como observadores externos da Natureza. Daí o conceito de 'ambiente natural'. O ambiente é visto como algo externo a nós, no qual estamos total e umbilicalmente imersos, é verdade, mas que não faz parte de nosso ser - uma dicotomia bem clara." (p.87, texto original de 1986)
"A Vida jamais poderá ser compreendida nos termos que queria Descartes que, nos seres vivos, com exceção dos Humanos, via simples máquinas, relógios ou autômatos; robôs, como diríamos hoje. Mas esta visão ainda está bem viva, muito viva, por exemplo, nos laboratórios de toxicologia da indústria química, que submete milhões de criaturas indefesas - macacos, cachorros, gatos, ratos, proquinhos-da-índia e outros - por ela simplesmente classificados de 'cobaias', a torturas indescritíveis para, que em enfoque ridiculamente bitolado, estabelecer, entre outras abstrações indecentes, a 'dose diária admissível' dos venenos com que fazem seus grandes negócios. Esta visão, é triste dizê-lo, é comum em muito curso e aula de biologia, e nas modernas fábricas de carnes e ovos, eufemisticamente chamadas de 'criação confinada' e 'aviários'." (p.93, texto original de 1986)
"Quando observo o trabalho dos biólogos moleculares, que se aprofundam sempre mais na dança das macromoléculas dos genes nos cromossomos, sem ligar para o organismo como um todo, me vem a imagem de alguém que, querendo conhecer e compreender os magníficos sistemas ferroviários europeus, por exemplo a Bundesbahn na Alemanha, se limitasse a estudar, com o microscópio, as letras nas tabelas dos grossos manuais de horários dos trens, e que passasse a vida fazendo nada mais que isso.
Não deixa de ser muito interessante o que toda esta gente descobre e cataloga e, por isso, esses trabalhos são muito importantes; mas , desvinculados da visão do todo, nenhuma orientação ética nos proporcionam. Aliás, é dogma corrente em círculos científicos modernos que a ciência nada tem a ver com valores, com ética, com política, com religião." (p.94, texto original de 1986)
"Por que eu sempre nado contra a corrente? Porque só assim se chega às nascentes".
Respeite quando vir uma bike. É um carro a menos
Saio hoje com meu novo aviso-placa fixado à mochila. Idéia que copiei do João da lista do Bicicletada e que me contava da visibilidade que isto surtia em suas pedaladas. Bom para a seguran;a, bom para a visibilidade da bicicleta como meio de transporte.
Foi estranho que justo hoje houve um enrosco com um taxista. Não foi nada sério ainda bem, mas coisa que quase nunca havia ocorrido antes. O aviso-placa exigindo respeito teve um efeito inesperado e adverso neste que foi o primeiro dia em que a exigencia por respeito, dignidade e humanidade parece abranger tudo o que vejo, esteja pedalando ou não.
