V Forum Social Mundial

Saio hoje para o V Forum Social Mundial com minha barraca e muitos grãos e cereais na mochila. Muito mais feliz do que em 2002, reparo que mudanças acontecem e isso é uma ótima notícia, sempre.

"Mas isso serve pra que?" me perguntaram.

"Para aumentar o volume da cabeça" respondi, o que não é pouco.
Porque uma outra visão é possível. Assim como um outro mundo também o é. Seja como for, é o mundo em que eu quero viver.





Confissões de um assassino economico

John Perkins descreve-se a si próprio como um ex-assassino economico – um profissional altamente remunerado que defraudou em trilhões de dólares países do mundo inteiro, emprestando-lhes mais dinheiro do que aquilo que eles podiam alguma vez pagar para depois se apossar das suas economias.

"Assassino economico”(economic hit man) é basicamente aquilo para o que somos treinados. Aquilo a que o nosso trabalho se destina é construir o império americano. Provocar... criar situações em que a maior parte possível dos recursos convirjam para este país, para as nossas companhias, e para o nosso governo e, na verdade, temos sido muito bem sucedidos. Construímos o maior império da história do mundo. Isto tem vindo a ser feito durante os últimos 50 anos desde a II Guerra Mundial, de fato com muito pouco poder militar. Só em ocasiões muito raras como no Iraque é que os militares aparecem como último recurso. Este império, ao invés de qualquer outro na história universal, foi construído principalmente através da manipulação económica, através da burla, através da fraude, através da atração das pessoas para o nosso modo de vida, através dos assassinos económicos. Eu tomei parte nisso em grande medida".

"Mas o meu verdadeiro trabalho era fazer negócios. Ou seja, conceder empréstimos a outros países, empréstimos gigantescos, muito maiores do que aquilo que eles algum dia podiam pagar. Uma das condições do empréstimo... digamos, mil milhões de dólares para um país como a Indonésia ou o Equador... e depois esse país tinha que pagar noventa por cento desse empréstimo a uma companhia americana, ou companhias americanas, para construir infra-estruturas – uma Halliburton ou uma Bechtel. Estas eram as maiores. Depois essas companhias iam para lá e construíam um sistema de electricidade ou portos ou auto-estradas que basicamente serviam apenas algumas das mais ricas famílias desses países. Em última análise, a gente pobre desses países ficava afogada nesta espantosa dívida que nunca poderia pagar. Hoje, um país como o Equador deve mais de cinquenta por cento do seu orçamento nacional só para pagar a sua dívida. E claro que não consegue fazê-lo. Por isso, temo-los literalmente em cima dum barril. Assim, quando queremos mais petróleo, vamos ao Equador e dizemos, “Olhem, vocês não conseguem pagar a vossa dívida, portanto, dêem às nossas companhias petrolíferas as florestas tropicais do Amazonas, que estão repletas de petróleo.” E hoje chegamos lá e destruímos as florestas tropicais do Amazonas, forçando o Equador a entregá-las porque acumularam toda essa dívida. Assim, fazemos estes grandes empréstimos, a maior parte deles volta para os Estados Unidos, o país fica com a dívida mais imensos juros e, na prática, tornam-se nossos criados, nossos escravos. É um império. Não há dúvidas quanto a isto. É um império monstruoso. Tem sido extremamente bem sucedido."

hitman.JPG

http://resistir.info/eua/perkins_hit_man_port.html







As flores todas do jardim da nossa casa

Caramba Tha! Esse cd antiguinho do Roberto Carlos é mesmo muito bom!

"Eu já não posso olhar nosso jardim. Lá não existem flores, tudo morreu pra mim".

E hoje tem o Wander Wildner. O romantismo brega transbordante é muito loco. Harpas tocando e o drama da vida impossível.
Aí depois já vem uma surf music animadinha e o cd continua.
Como na vida.






Eu sempre quis saber de duas coisas.
Onde podemos ver pombas filhotes e lagartixas filhotes?

A primeira coisa me disseram que existe sim, que as pombas não nascem gordas daquele jeito. Porque uma das perguntas mais difíceis é esta, de onde vem as pombas?

Mas antes de virar pombas elas são ainda pombinhas feias e desajeitadas que ficam escondidas até poder voar, o que acontece em poucas semanas. Daí que a gente nunca chega a ver esses filhotes e fica só imaginando de onde aparecem. Quem me contou isso cuidou de uma dessas pombinhas misteriosas.
Não chegou a ver quando ela fez seu primeiro voo mas ficou triste quando encontrou vazio o lugar onde ela viveu durante aquele tempo.

O segundo grande mistério do universo encontrei hoje na garagem. Uma lagartixinha de uns tres centímetros.

Nunca tinha visto assim tão pequena, acho que tinha acabado de nascer. Peguei ela com cuidado e levei para o elevador onde mostrei para as meninas e elas fizeram uma careta.
O que daria de comer pra ela? Talvez insetos, sei lá, mas aí não dava. Então peguei um teco de banana pra testar e deixei no meu braço, ao lado dela, onde a via quietinha que estava, acho que morrendo de medo, e era só a barriguinha mexendo, rosada. O pulmãozinho quase a mostra na pele transparente, buscando ar. Como é bom ver um ser vivo.

Mas ela não quis se aproximar do teco. Pensei, oras, ela não é um cachorro, é da família dos dinossauros, viviam há zilhões de anos antes da minha família, quem eu to querendo alimentar?
Deixei ela aqui no quarto e ela se mandou pra um canto atrás do computador, para não se deixar ver.
Ela e sua barriguinha rosada onde fica todo o mistério de tudo.





10

Existem dez cachorros que estão entre os dez cachorros mais curiosos do mundo. A Funny fica na sexta ou quinta posição.

Existem dez trilhas sonoras de filmes que estão entre as dez melhores de todos os tempos e claro que voce nunca ouve falar muito delas. Foi ontem que descobri a segunda melhor trilha, do filme Rushmore.

E são dez as formas que pode-se usar para descrever o que é ouvir "Everything must go" do Manic Street Preachers, ou "Ocean Clouds" do maravilhoso cd novo do Marillion. Todas elas, ou nenhuma delas, dariam conta em absoluto do tamanhão de ondas batendo nas rochas por aqui enquanto escrevo.





Para 2005

Depois dessa viagem, volto e parece que sem palavras.
Isto é o mais aproximado do que quero dizer:

"Libraries gave us power
Then work came and made us free
What price now for a shallow piece of dignity

I wish I had a bottle
Right here in my dirty face to where the scars
To show from where I came

We don't talk about love we only want to get drunk
We are not allowed to spend
And we are told that this is the end

A design for life
A design for life
A DESIGN FOR LIFE"

(Manic Street Preeachers)