sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

Um novo Natal - parte II

Ia ler um poema de Drummond hoje a noite, aquele que diz do gozo na bicicleta e que o essencial é viver. Aí estava ouvindo a rádio Cultura de manhazinha depois de voltar da casa da Tha e lá estava aquele programa bacana do Salomão onde rolou um texto da Clarice Lispector que fala das mudanças. Pois resolvo mudar e ler o tal texto ao invés do Drummond.

E aí mudo de novo, no centro das transfigurações, e arrisco escrever meu próprio texto. É o que lerei então hoje, que coisa:

"Todo dia tem um Sol nascendo.Todo ano tem um Natal. E em todo Natal tem um momento em que as pessoas se reúnem e pensam em dizer alguma coisa, passar uma mensagem, sentir a emoção da coisa mesmo, depois de todo aquele pernil. Eu também já passei por isso e já me senti convidado a participar e dizer alguma coisa. Não tinha exatamente o que dizer ali e não ter o que dizer é bastante natural, mas não hoje.
Hoje tenho algo a dizer.
O que podemos dizer a respeito do Natal que já não tenha sido dito antes? Talvez possamos começar assim, que da mesma forma que há sempre um novo Sol nascendo também temos sempre um novo Natal e pensar que o significado desta data especial carrega algo em comum com o significado do Sol. Hum...Então, qual será o significado do Sol?
É, começa mal, não sabemos. Podemos dizer que não há tal entendimento possível. Ou podemos dizer que ele só existe porque nós existimos, ou ainda, porque Deus quis assim. Mas isso não explica nada, ao contrário. Ao final das contas são apenas palavras. Palavras e mais palavras como estas que estou usando. Assim sendo, se minha hipótese maluca estiver correta e o mistério do Natal estiver ligado ao mesmo mistério do Sol, então deixarei de aborrece-los com todo esse falatório e poderei ir direto ao ponto que pretendo porque não há significado ou sentido algum que nós mesmos não criamos.
É aqui que entra uma sutileza. Pois que existe uma verdade que jamais poderá ser posta em palavras, há um sentido oculto em tudo isso como a pérola dentro da concha e sentido este, que não podemos improvisar igual a forma como improvisamos um presente de amigo secreto ou como estou improvisando este texto deixando vir o que me vem a mente. As palavras e o que chamamos de significados são apenas nomes que damos as coisas como Natal ou Sol ou pernil mas há algo por trás desses nomes e esperamos que seja nosso caminho para o que chamamos de verdade oculta.
Vou dizer: O significado do Natal está dentro dele, como a farofa do pernil. E o significado do Sol também. Não na farofa, mas lá dentro daquela bolota flamejante dourada e impossível e infinita que pulsa em ondas e aquece e que também é o meu coração. Não está em outro lugar. E portanto, o Natal existe porque nós precisamos dele e daquele Sol nascendo em nossas vidas como uma verdade que nos garanta, eterno, no leste, sempre no leste. Precisamos de algo que não desapareça no vazio e no nada, que me aqueça numa noite fria e sem amigos. Preciso tanto que meu coração continue...
E aí entendemos que o Natal significa que precisamos dele, seja com os amigos, presentes, as músicas, a imagem de Jesus também nascendo e que traz a boa-nova, ou mesmo, o Natal da televisão cheio do apelo do consumo. Precisamos, assim como precisamos de um instante de alívio. Se o ano inteiro fosse só um dia de nossas vidas, o Natal seria como aqueles trinta segundos em que conseguimos respirar em paz de verdade. Ou que ao menos procuramos por isso.
É quando não sobra nada, depois de darmos vazão aquilo que a gente sabe lá no fundo: que o telejornal da noite não pode explicar lhufas, assim como o governo tampouco e assim como toda aquela fofoquinha em torno de coisa nenhuma que mantemos cultivando na mente boa parte do tempo. É quando vemos que o mundo é somente uma grande bagunça e que talvez sempre tenha sido.
Não, não podemos consertar coisa nenhuma pois como disseram, se algo pode quebrar então já está quebrado. O que podemos é mudar as pequenas grandes desimportancias de nossas vidas. Como diz Clarice Lispector, 'abra as gavetas com a mão esquerda, durma do outro lado da cama, mude, porque a mudança é dinamismo e energia, só o que está morto não muda'.
Não gosto de imperativos, mas sabe, as vezes precisamos viu...
Mas chegou o Natal. Voce foi um bom menino? O Papai-Noel tá ligado, ele sabe de tudo lá de cima em seu trenó com trecentas mil renas e viajando a 3000 km por segundo para conseguir entregar todos os presentes hoje. E nessa hora que sentimos aquela tristezazinha que é nossa sensação de pequenez diante da coisa toda. E é então que olhamos ao redor e vemos. O que vemos? O que voce ve?
Não é o que mas quem. Vemos a nós mesmos aqui reunidos. Somos nós aqui presentes agora. Somos nós o Natal e acima de tudo o que mais importa, é que estamos todos de um jeito ou de outro juntos nessa estranha e bela viagem, querendo sempre e precisando sempre, abraçar o Sol.
Acho que no final isso também já tenha sido dito antes, hum...Que seja.
Um feliz e doce Natal".

Rodrigo Conelhero

Ontem

Renata prepara um jantar para o Arthur. Sou convidado e tratado com consideração quanto ao meu recente hábito alimentar. Me fizeram um salmão com molho de abacaxi e gengibre delicia.
Estou de óculos, todo mauricinho, como ela diz. Ela, está linda.

A mágica a que me referi atrás de fato existe e eu tinha esquecido. É assim: As coisas mudam, uau.

Presentes

Minha mãe pergunta pra mim o que eu iria comprar para meu amigo secreto. Respondo que não iria comprar mas sim fazer o presente.
Silencio.
E é assim mesmo, que bom.

Sinto que o presente deva ter mais significado do que umas peregrinações aos shoppings que só te fazem sentir-se um herói ou um mártir por haver sobrevivido ao sufoco de comprar no fim-de-ano.

Ai da pessoa se ela não gostar!...

Então fez sentido pra mim dar pra minha mãe uma peça de madeira que entalhei bem acabadinha de um toco que achei na rua há meses atrás. Foi engraçado que esta peça foi centro de uma certa polemica em torno da possibilidade de uma praga de cupins aqui por causa dela. Há uma história com esta peça - tratei de ferver o toco durante muito tempo para evitar os cupins - e é disso que eu gosto. Depois de estar largada na rua e com marcas de mordidas de cães vadios, depois de ser desprezada e xingada por ser só um toco velho e podre, ela agora ela retorna como arte, e nós sabemos como foi.

Para meu pai vou copiar um conto de Guimaraes Rosa primoroso chamado A Terceira Margem da Alegria que vejo que é ele, eu, todos nós.

Hum...minha irma está viajando. Estamos meio bravos um com outro. Mas espero que ela esteja bem.

Nossa...acho que estou fazendo uma capitulação da minha vida...O que é isso, o Juízo Final? Sei lá, é assim, é tudo pessoal.
E que viaje pro espaço.

Bom, o presente que fiz para minha amiguinha secreta foi este. Ela é minha prima Jessica.

Jessica.psd.jpg


:o)

Acho fascinante que a mágica parece funcionar de novo. E que a velha força esteja por aqui. Quero que isso alcance o mundo todo.

To me sentindo inspirado pelos meus amigos vagabundos do Darma.
Como os amigos são importantes...
E a Tha.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Obrigado

Acordo sacudido por duas musicas da rádio...Estão tocando ao longe e atingem algum momento profundo anterior ao meu despertar; são revestidas da qualidade mágica dos sonhos e ficam tangíveis. I design for life, do Manic Street Preachers, e
Thank You, do Led Zepelin tamborilam na sequencia. São só músicas, mas.
Acho que não se pode tocar esse sentimento de reverencia por todas as coisas que existem sem ser sacudido ou sem chorar um pouquinho nesta manhã.

Obrigado porque tudo existe hoje. Para sempre e para sempre, amém.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Kofpiro

Uma coisa chamada de impermanencia.
O ano que passa tão rápido.
Precisamos segurá-lo ainda que sem muito sucesso. A água escapa dos dedos, o vaporzinho que se levanta, mais um sol, pessoas e cores ou a falta delas.

Meu caderno acabou. Preciso de outro.
Pra continuar escrevendo e dando nome as coisas que escapam pelos dedos, como se dessa forma estivessem cristalizadas nas linhas e escapassem ao rápido girar dos tempos, desta coisa chamada de impermanencia e deste ano que mal começou agora acaba. Como se pudessemos enganar o troço todo com o artifício de um tempo que inventamos. Ali naquele momento chamo minha vida que é inteiramente inexplicável de uma coisa simples que ocorre dentro de um dia repleto de personagens, pessoas e cores. Tão fácil viver.

Hoje canto no coral as 19h30 no vão do Masp.
Músicas:

1)Babá
2)Kofpiro
3)Kisimbie
4)Banana
5)Angá Angá (que é um rap angolano no dialeto onbungo)
6)Nacomituna
7)Kamalongo
8)Sansacromá
9)Yesu Cristo
10)Babá de novo

Kofpiro é a mais pedrada de todas, embora eu tenha adorado todas elas.
É do Kenya, no dialeto lyri. (Quantos milhares de dialetos...)
Perguntei ao professor de percussão, que nos passou todas essas músicas, o que significava a música Kofpiro que tem uma potencia e uma dramaticidade impressionante.
Aí ele parou o que estava fazendo no momento ali com seus papeis, se virou pra mim e disse com a boca bem aberta:
- Quer dizer assim, "Voces brancos mataram e crucificaram seu deus, Jesus. Jesus lhes perdoou. Por que voces brancos não perdoam os negros?"
Silencio. Fim do ato.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Um novo Natal

jesus_banner.jpg

I was good kid
through hail and snow / I’d go
just to moon you
I carried my heart in my hand
- do you understand?
- do you understand?

but Jesus hurt me
when He deserted me / but
I have forgiven Jesus
for all of the love / he placed in me
when there’s no one I can turn to with this love

Monday - humiliation / Tuesday - suffocation
Wednesday - condescension / Thursday - is pathetic
by Friday - Life has killed me
by Friday - Life has killed me

why did you give me /so much desire?
when there is nowhere I can go
to offload this desire?
and why did you give me so much love
in a loveless world?
when there is no one I can turn to
to unlock all this love

and why did you stick me in
self-deprecating bones and skin
Jesus - do you hate me?
why did you stick me in
self-deprecating bones and skin
... do you hate me?

(Morrissey)

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Assistindo Videodrome, ouvindo Seal e a chuva, esperando, largando, me esbaldando em gerúndios.

O Dia da Iluminação do Buda Sakiamuni

É hoje, dia 07 de dezembro, comemorado na Coréia, China e Japão, segundo uma certa tradição. Quanto a mim, parece que meu carma é um nó cego sem tamanho, talvez melhor não pensar muito nisso. Droga, acho que esqueci como se medita.

Rango do dia: bolinho de batata com cenoura, alho e afins.
Método utilizado: precariedade radical.
Resultado: Preciso melhorar.

Carma

"Cada vez que decidimos não mais fazer alguma coisa, dizer não a algo, há uma região, onde surgem os impulsos, que parece não ser afetada pelas decisões… Podemos dizer não ao cigarro, não ao álcool, não ao videogame, mas estas coisas seguem nos atraindo. Podemos dizer não à inveja, ao desejo-apego, ao cansaço, à ganância, à raiva ou ao orgulho. Mas parece que tudo continua funcionando da mesma forma, apesar de nossa decisão.


CharlesBronson_Schiesst2.jpg
(Desejo de Matar)

Algumas vezes brinco que Charles Bronson é meu mestre. Faço o teste: "lamas não podem matar"; daí ponho a fita no vídeo, coloco uma estatuazinha do Buda sobre a TV e fico rezando durante o filme, mas aos dez minutos de filme já surge o impulso: "Mata, mata logo, vai!" Por isto ele é um mestre, aponta a violência oculta, mas presente. Aponta a fragilidade latente…

Isso quer dizer que temos emoções perturbadoras. E então descobrimos o sentido de uma palavra muito importante — a palavra carma. Porque, se estudamos a liberação, temos que estudar o processo oposto, o aprisionamento, que chamamos de carma.

Ao observar as grandes poesias e músicas, vemos que são sempre sobre nossos impulsos: "Eu não devia fazer tais coisas, no entanto, elas são mais fortes." Elas são sempre sobre duka, daí há duas correntes opostas: "Aqueles cinco minutos valeram a pena", e "não, aquilo nunca mais, o custo é demasiado". Por que esses poemas, músicas e ficções nos atraem? Por que vivenciamos aquilo? Por que aquela energia percorre nossas veias? Isso acontece porque estamos presos no mesmo tipo de situação mental. Então, quando falamos de Buda, inevitavelmente temos que falar de carma. Estamos inevitavelmente presos no mesmo tipo de situação descrita na música ou no romance.

res_porco cobra galo.jpg
(Interior da Roda da Vida, a serpente, o galo e o porco simbolizando
desejo, falta de controle de si e ignorancia, dando movimento ao ciclo)


Quando olhamos nossa experiência, ao reconhecer tudo isso, vemos que nossa vida tem sido sempre composta de muitos ciclos desse tipo. E de novo voltamos àquele mesmo lugar: "Por que fui atropelado?", "por que ela me deixou?", "por que sempre faço tudo errado?". E então começa tudo de novo, e dizemos: "Ah, agora já sei como é". E as coisas vão assim.

Um mestre já falecido dizia: "Se você culpa seu marido por seus problemas, você tem uma condenação perpétua — os próximos vão ter a mesma cara, os mesmos problemas do primeiro." Com namoradas é assim também. Podemos simplificar todo este processo com uma palavra — carma. É um processo muito sutil, não é uma lei que nos condena. Se fosse assim, não existiria a palavra Buda. Buda não é o ser, não é uma pessoa. Buda é uma condição de libertação de todos esses impulsos.

O Buda também diz: "Não acreditem no que eu digo, testem por si próprios." Ou seja, o que eu ensino não precisa ser tomado como uma verdade a ser aceita. Escutem e testem à sua própria maneira".

O Dalai Lama diz: "Eu não sou budista, a minha religião é bondade, amor e compaixão." A instrução seria assim: apenas pratique bondade; se tiver dúvidas e pensar: "Isto é fácil, isto é ingênuo", chame o "mestre" Charles Bronson — vai ficar claro como este caminho é desafiador. "

(Lama Padma Samten)

BudKhmerSourir.jpg
(Arte Khmer, Buda em estilo Bayon, séc. II)

prajnaparamita.jpg
(Prajnaparamita)

Matar e meter carne goela abaixo

Ah, quer saber...vou apagar esse post gigante que tinha escrito sobre meus motivos de não estar comendo carne.
Ah, dane-se, o que importa? Não quero virar vegetariano, vegano ou os cambal.
Quero só a iluminação completa. Ou os 24 territórios.

Reflexóes

Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor. (Pitágoras)

A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que têm índole bravia e feroz, os tigres, os leões etc. podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos. (Pitágoras)

Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos. (Gandhi)

Eu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais. (Henry David Thoreau)

Não haverá justiça enquanto o homem empunhar uma faca ou uma arma e destruir aqueles que são mais fracos que ele. (Isaac Bashevis Singer, Nobel - 1978)

Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que nós não estamos contribuindo para o sofrimento deles. (Paul e Linda McCartney)





Sansacroma

O chuvaréu de ontem parecia querer levar o manjericão embora. Pulei a aula de web e saí a tempo para o ensaio do coral no Centro Cultural. Queria sentir o ar novo na rua para tirar um pouco da doença do sono que eu tinha pego, mas não tinha ar novo, apenas gente e mais gente passando com aqueles rastros de perfumes nojo-adocicados, por toda parte.
Tentava desviar. Cade o ar?!

Dentro do metro foi pior, fiquei ao lado de outro ser desodorantizado do mundo dos fenomenos.

Cheguei na hora certa e a chuva ainda caía forte. A Raísa me perguntou se eu estava dormindo. As vezes acho que sou transparente demais, o que me emputece. Por que não posso ser um desses caras indecifraveis para os quais as pessoas chutam A e ele responde que é claro que é B e a pessoa acredita que de fato é mesmo B? Hum...Preciso abandonar essa crença num eu e passar a trabalhar uma imagem, seja ela qual for, de mim mesmo. A Raíza não vai dizer que estou com cara de sono, mas que tenho um ar de muita espiritualidade e profundidade analítica e todos ficam felizes.

O início do ensaio também me emputeceu. A May elogiava a todos os que iam solfejar dizendo maravilhas de como tinham evoluído, e o que me parecia é que era a mesma coisa de sempre; será que ela percebe de fato o que diz perceber? Na minha vez ela encanou e caímos numa digressão insolúvel sobre meu apoio de voz e outros troços mais. Sinto então que estamos falando do vento e é quase tudo tão leve assim, como se não existisse, como se não pudesse pegar nada, entender nada, e ainda assim, minha voz não estava tão boa. Ah, só é bom poder escrever mesmo...E não sei se isso é bom ou não.

Depois desse entrecorte inicial veio a parte boa com o ensaio do percussionista que nos trouxe as canções africanas nas quais iremos colar nossas vozes.
Lindas músicas! Foram estas:

Sansacroma (nome de um pássaro)
Dialeto: Khosa
País: África do Sul.

Nacomituna (navio)
Dialeto: Kikongo e Kiombe
País: Congo

Babá (Deus)
Dialeto: Yambássa
País: Camarões

Iesu Cristu (Agradecimento a Deus por estarmos reunidos neste momento)
Dialeto: Limbala
País: Congo

Na volta um role pelas ruas recém-alagadas de São Paulo e um yomango numa super banca da Consolação.
Durmo decidido a assistir nesta terça ao vídeo "Sociedade do Automóvel", trabalho de conclusão de um dos caras da lista do bicicletada, lá na PUC. Parece que não me decidi o bastante, mais uma vez não consegui sair da cama a tempo.

Esse foi um ano cheio de não-virtudes, maravilha. Mas olha, parei de fumar, estou dando um tempo com carne e com família umbilical. Talvez traga bom carma e neste Natal possa cantar Sansacromá. "Sansacromá Nenaio Ko konbá. Sansacromá Nenaio Ko konbá"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Sou um garoto que chora o desabamento de intermináveis castelos

Ontem falávamos de compaixão, lembra?
Leio esse texto no blog do Eduardo e quase também tenho um ataque, porque sei que não há caminho melhor (e mais difícil) que o da compaixão.
Mas primeiro ele fala da vacuidade (do Budismo):

"A vacuidade é a manifestação, não manifestação qualquer que não seja vacuidade. Então o que temos que temer é o não entendimento disso, tomando as coisas como sólidas e definitivas. Quando fazemos isto, é como um menino que chora porque o castelo de areia desmorona - um adulto entende algo da vacuidade de um castelo de areia. Da mesma forma com nossos relacionamentos, nosso corpo, nossas idéias. Todos estão em constante mutação e não tem dentro de si qualquer algo que os defina como verdadeiramente separados ou eternos.

É a vacuidade também que permite a compaixão. Se vemos um criminoso hediondo e não reconhecemos que a expressão "criminoso hediondo" é vazia, não temos como ajudá-lo. É exatamente por sabermos que as coisas são impermanentes que a ajuda é possível. E além disso, não só são impermanentes, mas são livres de si mesmas, naturalmente. Essa é uma qualidade luminosa que a vacuidade apresenta. A vacuidade é compaixão, não há possibilidade alguma de compaixão sem percepção da vacuidade.

Porém, alguns sutras prajnaparamita, que lidam diretamente com a vacuidade, dizem que é realmente extremamente especial aquele aluno que ao ouvir estes ensinamentos, não se amedronta. Ele é realmente um filho do Buda. Conta-se que os próprios Arhats, grandes discípulos do Buda, quase morreram de ataque cardíaco quando o Buda explicou os ensinamentos sobre vacuidade, particularmente sobre a vacuidade dos próprios ensinamentos do Buda.

Então se entende, já que compaixão e vacuidade são inseparáveis com destemor. Se há verdadeiro destemor, isto é uma prova ou controle de qualidade de que a realização está presente. É só abandonando os medos - que estão ligados a crença numa entidade sólida e duradoura - que pode-se aportar seguramente na "outra margem", a margem da liberação, e trabalhar incessantemente para benefício dos outros.

(Eduardo Pinheiro)

Sem Título

Ae, vou conseguir baixar Superman IV e ouvir o áudio original. Não deve ser maior sadomasoquismo do que ter assistido no VHS com aquelas dublagens a la SBT de Chaves.
São notáveis alguns atos humanos, devo dizer isto a meus descendentes.

Para o gato gordo dela

Algumas frases só podem ser escritas uma vez, quando muito duas.
Se alguém der uma busca encontrará aqui que o "alento no felino sacudia-lhe os bigodes cheios do leite gordo"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Viagem

Não só meu cabelo está anos 80, acho que todo o mais.
Agora vou voltando mais...anos 60, Frank Zappa, CATZO! Que foi aquilo?!!

Ontem comentei para o grupo da oficina de canto alguma coisa importante pra mim e parece que sem querer esse comentário foi legal pro Marcelo.
Palavras são invisiveis no ar e atingem quando nem se imagina. Se eu vivesse nos anos 60 acho que flutuaria nisso.

Interesting Drug

There are some bad people on the rise
There are some bad people on the rise
They're saving their own skins by
Ruining other people's lives
Bad, bad people on the rise
Young married couple in debt
- ever felt had ?
Young married couple in debt
- ever felt had ?

On a government scheme
Designed to kill your dream
Oh mum, oh dad
Once poor, always poor
La la la la la
Interesting drug
The one that you took
TELL THE TRUTH - IT REALLY HELPED YOU
An interesting drug
The one that you took
God, it really really helped you
You wonder why we're only half-ashamed ?


"Because ENOUGH is TOO MUCH!
...and look around ...
...can you blame us ? CAN you blame us ?

(Morrissey)