Status: Deriva
Tem uma hora que é só voce.
Não tem mais ninguém, todos falam e falam e só falam,
como se precisassem dissecar suas barrigas e trazer lá de dentro
alguma tripa insossa que valha a pena.
Falam daquele jeito de quem quer mesmo é ruído pra espantar
seja lá o que for, ruído.
Se não fizer assim voce deve estar triste, com problemas.
Então a mesma coisa, a mesma coisa,
e chega a hora.
Não aparece aquela conversa fenomenal,
aquela que te mostra um outro lado, ou ao menos
mostra que não é só voce,
mas que muitas vezes e durante muito tempo,
somos todos.
E voce não agradece, tipo valeu, eu tava precisando...
Não, porque é foda, mas chega, uma hora chega.
Vem o bolo, apagamos velas e comemoramos a impossível trivialidade de tudo o que nos rodeia.
E hojé é só.
Mais um pouco de sol e minha pele desmancha.
Não adianta, tenho que assumir que sou branco.
Ontem tava o sol nascendo como uma bolota vermelha e alienígena aqui na minha janela. Ele queima, sufoca, mas enquanto nascia era lindo e diferente de tudo o que pudesse existir aqui na terra, dizia eu ontem pra Tha.
Para Henry David Thoreau, basta um nascer e um por-do-sol para garantir a sanidade de um homem. Dá pra entender isso. Nós temos a maravilha do fogo por aqui, só que ele não é nosso. O que podemos fazer é contemplar o vermelho desse mistério.
Voltarei a isso.
Como sempre. Voltando a todas as coisas absolutamente inúteis.
Desta vez eu voltava pra ESPM, ia tipo refazer uma matrícula.
Caminhava junto daquela multidão (que nos sonhos nunca parecem se importar muito com o fato de que voce se esqueceu de se vestir antes de sair de casa).
Pra lá e pra cá, tóing-tóing, procurando uma roupa...
De repente voce percebe que pode acontecer sim.
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"Creio que é Cícero quem diz que, ao penetrar num bosque alto e cerrado, a presença de uma deidade se manifesta a voce. Há bosques sagrados por toda a parte. Lembro-me de ter ido a uma floresta, quando menino, e ficar reverenciando uma árvore, uma enorme e velha árvore, enquanto pensava: Ah, o que voce conheceu, o que voce tem sido! Acho que essa sensação da presença da criação é uma tendencia básica do homem. Mas hoje vivemos em cidades. É tudo pedra e rocha, manipuladas por mãos humanas. Voce vive outro tipo de realidade quando cresce lá fora no meio da floresta, ao lado dos pequenos esquilos e das grandes corujas. Todas essas coisas estão ao seu redor como presenças, representam forças, poderes e possibilidades mágicas da vida, que, embora não sejam suas, fazem parte da vida e lhe franqueiam o caminho da vida. Então voce descobre tudo isso ecoando em voce porque voce é natureza. Quando um índio sioux apanha o cachimbo da paz, ele o empunha com o bocal apontado para o céu, para que o sol de a primeira baforada. Em seguida ele o apontará nas quatro direções, sempre. Com a mente assim constituída, quando se dirige ao horizonte, ao mundo onde voce está, voce percebe que ocupa o seu lugar no mundo. É uma maneira diferente de viver."
(Joseph Campbell, O Poder do Mito)
Formada no inacabado
a móvel substância enverga sobre si
e transmuta o gérmen calado
numa peleja de acidez e de espera
Sob o pesado esquecimento vagaroso do solo molhado
Pronto a tocar o aberto e mui cheio jardim
Com seus perfumes da tarde
Eu / Montro do Pantano, com o Photoshop.
Me deformei depois de ver sua mensagem Tá.
Com dedos verdes, longos e lisos
Me espalho neste jardim
Para num ponto te alcançar
"What if I say I shall not wait!
What if I burst the fleshly gate
And pass escaped to thee!
What if I file this mortal off
See when it hurt me - That`s enough -
And wade in liberty!
They cannot take me - anymore!
Dungeons can call and guns implore
Unmeaning now to me
As laughter was an hour ago
Or laces or travelling show
Or who died yesterday!"
(Emily Dickinson)
"O Sol não é só novo a cada dia mas sempre novo, continuamente novo."
Lembro de ter inserido esta frase de Heráclito em um trabalho de sociologia na faculdade. Foi uma das poucas oportunidades de entrar em contato com algo que parecia existir de verdade, meio que perdido no meio de tanto Phillip Kotler. E eu tentei e tentei escrever algo que contivesse não só algum senso estético; queria me expressar, existir através de um trabalho que "existisse". Não foi nada fácil.
A primeira vez que voce percebe que male-male é algo diferente que possui identidade te faz olhar pra dentro, aí voce sente medo e recua porque não encontra eco algum que te auxilie nesta coisa sem sentido. É voce que está ali criando o sentido.
"Como um cílio numa catedral em ruínas", era a frase preferida do professor Oyakawa, uma mistura insólita de sushi-man com professor xavequeiro de cursinho. Suas mãos tremiam e ele continuava, fumando como um porco que fumasse, sempre a encaixar o cílio de Drummond nas suas digreções sobre Durkheimn e a solidão humana. Parecia óbvio que ele queria no fundo era comer as menininhas, mas que plano elaborado (!)...
E foi nesse tempo assim sem saber em que lugar se estava que me pareceu importante fazer aquele trabalho, quando tudo o mais afundava num sutil senso distorcido. Então apresentei-me as coisas ou fui empurrado até elas. Como que o sol podia ser novo?
Não entendi o que isso quis dizer mas insisti em inserir. Lei fundamental instintiva - plagie descaradamente, atentando apenas para citar o nome do autor.
Coisa...Ainda não entendo...Embora possa sentir qual era a coisa que buscava. Parece que está sempre ali, a mesma coisa, só que não é. Voce achava que tinha por certo, mas o certo também não é sempre o mesmo certo. Somos nós quem mudamos e nos achamos sempre os mesmos.
Clarear o conflito essencial do homem de ser meio simbólico e meio animal, um deus eterno que também é um bicho mortal. Sem que percebesse ou entendesse, buscava é claro (mas tão incompreensível) um sol novo e mais luz pra poder passar.
Fotos da Thaís, ela que odeia Quase todos os filmes americanos mas que adorou Alien Vs Predador.
O telefone toca:
- Oi, aqui é da Blockbuster, eu estou ligando porque já faz um tempo que o senhor não aluga filmes e eu queria saber, aconteceu alguma coisa?
- (!!!)....Sim, aconteceram muitas coisas.
- Han...Então tá.
Pessoal da melhor e uma ótima viagem neste fim-de-semana!
O Petar, ou Parque Estadual Turístico do Alto da Ribeira contém mais de 300 cavernas, algumas ainda inexploradas. Visitamos cinco. Mas não é só uma visita, é uma aventura, e que requisita tudo o que é músculo, não é mole não. Mas mandamos bem.
O cenário é incrível, como já pude constatar da última vez na época do colégio.
A diferença foi a sutileza da experiencia. O tempo.
Milhares e milhares de anos para que aquelas formações se dessem. Eu não existia. Talvez nenhum humano existisse. E isso não fez diferença alguma pois a coisa aconteceu, com força bruta, violencia e criatividade, no espaço rochoso do vasto mistério que pairou o tempo todo ao meu redor.
Algumas das fotos bacanas tiradas pelo Belmer.
Caverna da Água Suja
Thaís, Picon, Dito, Belmer e eu
Caverna do Morro Preto
Picon na cachoeira da Água Suja
Não tentem isso em casa!!!
(É nada...nem foi perigoso)
Belmer e seu nascimento
No meio de um transito empacado eu e a Thaís fazendo uma intervenção na estrada
Pintando no escuro
Arte fugaz