Que saco
Não, o mundo não é como eu gostaria que fosse.
Tava olhando o céu.
Tudo parece frágil e fugidio e tenho medo disso porque um dia termina.
Eu queria ter controle mas não tenho. Mesmo que eu detivesse todas as ações da Aol/Time Warner e também o petróleo que as empresas do Bush querem tanto, metamorfoseando minha mente de tal forma que eu julgasse então, que esse poder fosse divino, e já sem dúvidas quanto a isso, enfiasse tudo num tabuleiro do Banco Imobiliário...
Ainda assim, o mundo seguiria queimando; e este brilho que me encanta, que me machuca, ainda é desconhecido.
"O fogo queima sem saber o nome, sem saber pra onde. Nem de onde veio."
E este tolo que queria que tudo fosse repleto de amor e não apenas pinçelado por pontos esparsos da rara substancia.
Que o amor não morresse. E que nada morresse.
Não posso parar nuvem alguma que passa nesse céu hoje.
Dentre tantos fatores e tantas possibilidades a sensação que tenho as vezes é de que seja um milagre o fato de eu estar aqui, existindo.
Parece que podia com tanta mais força ser de outro jeito. De qualquer jeito. Não que eu quissesse, mas podia! Não foi. O que foi é este agora, este eu aqui.
O milagre maior de todos os milagres é este que está na frente do seu nariz e que por parecer tão trivial, a gente descarta.
Eu também não sou livre para deixar de ser eu mesmo; há esta pequena e estranha cela da qual estou fadado a habitar.
Penso que é neste pedaço de nada, neste silencio realmente que as coisas acontecem.
Por isso direi uma coisa. Não sou aquele que ficou.
E direi outra. Que saco! Não sou esta imagem que voce fez de mim e que congelou como a foto que manteve ao seu lado.
Se não gostou então tá.
"Caminho como tu investigando a estrela sem fim".
Pois deixarei de lado qualquer esforço em agradar tuas expectativas. Posso até desejar fazer isto, mas não o farei.
Há vezes em que eu mesmo não sou o que gostaria. Neste pormenor, longe de qualquer idéia conformista e por mais difícil que seja, existe um ponto em que há pouco o que se fazer.
Lá dentro do furacão
sou só
o que sou
esta dolorida verdade
que evapora como nuvem
De Volta para o Futuro
Muitos reencontros ultimamente.
Retomada, re-alguma coisa...revivencia talvez.
Encontrei a Erica e ela não estava em outro planeta, olha só. Atendeu ao telefone que nem sequer havia mudado. Fui eu quem liguei depois de achar a velha agenda. Sabe aquelas agendas que ficam eternamente no móvel da sala e tá cheio de desenhos e rabiscos imemoriais...Alo! Era ela, mesma voz. Vinte trilhões de anos depois.
Depois revi o Evandro, a Aline, o Everton, a Marion e toda a banda que tocou no Little Darling.
Foi muito bom ve-los no palco! Sim, a gente precisa tocar junto algum dia.
Nesta mesma noite também revi a Debora, que insiste em continuar com aquele charme todo dela, ainda bem.
Quem mais...Ah, a Patrícia eu já comentei neste espaço, eu estava pedalando lá no Belenzinho quando a revi vom sua irmã. Teve o aniversário dela no Liquid Lounge, bem legal.
A Patrícia e eu, de seu fotolog
E foi no domingo que rolou o reencontro power - com o pessoal do colégio.
Dez anos depois, quem mandou ficar velho...
Sabe, tudo isso...Voce olha e nota as diferenças, é a mesma pessoa mas também não é! Alguma coisa mudou, mas o que...Não! Tudo mudou, o mundo e o céu. Mas aí voce olha de novo, caramba! Ainda é a mesma pessoa, tá ali, é claro, tão claro!
E completamente inexplicável. Porque viver é ter de lidar com o tempo. E o tempo cara...Não é como De Volta para o Futuro que voce entra num carro muito loco que canta pneu e deixa um rastro de fogo pra trás. Toca aquela musiquinha tcha-ra-ra-rannnn e zupt! Voce voltou, arrumou o passado, curtiu e comeu uma pipoquinha...
A vida não é filme. Mas tampouco a vida é real. O que sobra é o que sinto.
Não se volta e nem se vai para o futuro, porque o futuro não existe. E nem passado existe. Tudo é agora, passado, futuro, tudo acontece junto e é agora, isso que importa e que é tão incrivelmente insano e intenso. Entrar num Delorean daquele do filme deve ser impressionante. Mas só quem viveu é que sabe o que significa sentir a passagem, esta que é a verdadeira viagem no tempo.

Marty Mcfly, quem que não se lembra...
Que engraçado...
Depois do churrasco fomos ver o jogo do Brasil num barzinho do Tatuapé. A trasmissão devia estar interligada entre os barzinhos vizinhos dali porque quando o primeiro penaulti foi cobrado percebemos um troço surreal - é que quem tava no bar ao lado comemorava o gol do Brasil antes que a gente mesmo pudesse ver na tv a bola indo pra rede! Assistíamos mais pela reação dos outros do que pela televisão!
Quer dizer, encontrei naqueles amigos uma parte do meu passado, e, ali naquele ponto meio borgeliano da realidade presente, que era o bar, olhávamos para um ponto em que se projetava o futuro.
Bem da Vida
Interjeições Continuadas
Então é assim que estamos:
Basicamente tudo é possível, quase nada pode ser planejado, e - que maravilha - eu não entendo mais nada!!!
Assim é que vamos, vivendo, como se prestes a explodir em mil pedaços - ah...que nada, que não se explode que é só teu coração e ele mostra que está aí e é pra isso!
Se eu fosse poeta eu poderia explicar melhor, mas agora...Agora é só a madrugada.
O que me resta é a linda da Vanessinha e sua poesia pra poder me fazer entender, estas que são minhas interjeições de hoje...
Bem da Vida
(Vanessa da Mata)
Viva a felicidade
Abolindo quase toda a maldade
Como se o amor trouxesse o gozo da infancia
Bem que volta a inocencia
Bem de ter carinho e delicadeza
Viva o que nos torna o bem maior da natureza
Eu era sem primavera
Dessas que o ano não principia
Poesia não me dizia
Ternura em mim não havia
Faltava encanto na melodia
Não parava uma saudade
Velha de pouca idade
Ia vivendo a necessidade
Viva a felicidade
Abolindo quase toda a maldade
Como se o amor trouxesse o gozo da infancia
Bem que volta a inocencia
Bem de ter carinho e delicadeza
Viva o que nos torna o bem maior da natureza
Strawberry Fields Forever
Que incrível...
Não estava nos planos.
Alguns clips conseguem ser clips sobre a felicidade mesmo, funcionam! E a coisa despojada, solta, não-imbecil. Clips como este do Teenage Funclub, que vi na Mtv esta madrugada.
Por que a Mtv inteira não poderia ser assim?
A resposta eu ouvi do diretor de programação na entrevista que deu junto do Cazé lá no Centro Cultural Banco do Brasil algum tempinho atrás. "Porque não dá lucro".
Ah, então vão se foder!
Aliás, única coisa que presta ainda nesta emissora é o Lado B e os Ps da Penélope.
Pedal Tranquilo
Passeio até a Paulista, pedal tranquilo.
No caminho encontro a Patrícia e a Flávia, pusta boa surpresa!
Como isso iria acontecer se eu estivesse de carro?
Na certa teria ido pelo trajeto rápido, ou seja, pela Radial Leste e não pelo caminho de bicicleta que passa pelos bairros. E estaria ouvindo música, cantando, ou simplesmente olhando pra frente, nada do que estivesse "lá fora" me chamaria tanto a atenção.
Vou chutar assim pra resumo de conversa - nós não nos encontraríamos.
Morrissey matador
Escutei a nova "Irish Blood English Heart" e voltei a ouvir Morrissey.
O velhinho tá mais vivo que quase todo mundo!
Foto da galera do CCC60
Dia de ficar em casa também é muito bom, chuva caindo leve, o friozico e aquele cinzinha preguiçoso no céu deste domingo.
Dia de escrever alguma coisa.
E visito o blog do Nélio Junior que conheci na fabulosa Camarãozada que rolou no Centro Cultural Casa 60 e toda aquela galera da melhor. Tem uma foto da gente lá com o ótimo cd que ganhamos da Rejane Luna presente também.
Vimos que não se pode subestimar o poder da mentalização, hehe.
Pelas ruas de São Paulo
"Um dos hábitos trazidos pelos imigrantes a partir de 1870 foi o ciclismo, que virou verdadeira mania nas ruas da capital (de São Paulo)"(do livro de Gilberto Dimenstein)
Para o dia-a-dia não tem igual, a melhor opção de locomoção é a bicicleta. Opção racional, consciente e atenta ao mundo em que vivemos.
Como assim?! Em São Paulo, cê tá louco?!
É o que eu sempre falo: É uma questão de hábito. Parece impossível?
COMO ACONTECE COM TANTAS OUTRAS COISAS, O QUE PARECE IMPOSSÍVEL É MENOS IMPOSSÍVEL DO QUE PARECE, NA VERDADE, É DE FATO UMA QUESTÃO DE ADAPTAÇÃO E PARA MELHOR!
Porque nós nos adaptamos com o carro tão simbioticamente, a ponto de excluirmos de nossas mentes qualquer outra opção válida quando se trata de transporte que não algo motorizado.
É claro que quando você tá com pressa ou quando vai sair à noite pra curtir numa festa e tal, você use o automóvel, moto, o ônibus, o metrô, o táxi, que seja. Eu uso moto, metrô, não pretendo radicalizar, não mesmo. Mas gostaria de lembrar que existem outras opções válidas que estão meio desprezadas de nosso leque consciente e não deveriam.
É MUITO LIMITANTE CONCLUIR QUE SEJA INEVITÁVEL PRENDERMO-NOS A UM MOTOR DE COMBUSTÃO.
Por quê?
Porque você não enxerga a cidade; é alienante; é irracional, dado o aumento da frota anual de veículos sem a devida capacidade de incorporação pelas ruas da cidade; polui (e muito); é responsável por um número assustador (pouco revelado) de mortes a cada ano; e etc e etc...
Mas pessoalmente, o que mais me cabe é a percepção de que O CARRO FAZ COM QUE VOCÊ NÃO VEJA A CIDADE. É como internet, um intermeio entre eu e o mundo, pode ser uma maravilha e pode ser uma alienação, geralmente cai é na alienação mesmo. Como um filme que passa no seu para-brisa, não é real...Não tenho que lidar diretamente com esta "projeção". E tem mais, "bicicleta é perigoso, as ruas são perigosas e tal".
Sim, há alguma verdade nisso, mas o recado que passo é para os fatalistas sempre a postos a querer narrar algum acidente, então a estes lembro Clarice Lispector:
"Se você teme a mudança mais do que teme a desgraça, você não impede a desgraça.
A vida é dinamismo, é energia!
Só o que está morto não muda!"
E estamos aí por estas ruas!

Alguns literalmente nas ruas...
Uma imagem vale mais que mil palavras
Mas tente dizer isso sem palavras. (Millôr)
O caso mesmo é que
eu tava desejando um beijo em teu umbigo.
Diga sim
Recomendo o prazer do exato instante em que você deixa a carta e vai embora.
O prazer do não ter mais volta.
Recomendo homenagens sem motivo. Ando tomando rumos, ando à toa, ando sambando por madrugadas, ando gostando até gastar.
Bom mesmo é andar descalço, andar de mãos dadas.
Escrevo porque ando.
(Vitor Paiva)
Ai florisbela
Jackson do Pandeiro
Casa Amarela
Naquele forró lá em casa amarela
ai, florisbela!
se eu não sou ligeiro morria sem vela
ai, florisbela!
se eu não sou ligeiro morria sem vela
Eu gosto da farra, sou bom companheiro
em qualquer terreiro balanço o ganzá
gosto de cantar em côco de roda
e até faço moda pra moça cantar
Chegou, chegou
Salve o nosso cantador, aiá!
Chegou, chegou
Salve o nosso cantador!
Transborda
Cara, coisas acontecendo, acontecendo...Não tenho como escrever sobre tudo, é assim mesmo.
Conheci a Mariá no Sesc Consolação nesta quarta. Hoje a encontrei de novo, sem combinar nada, ali no Belenzinho, onde levantaram uma estrutura muito bonita de uma oca estilizada, na qual apresentaram-se índios Guarani com suas danças e cantos. Depois fomos beber e comer esfiha e foi ela e sua amiga quem me falaram sobre (e cantaram) Chico Buarque.
Deixo este trechinho do livro "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Hollanda, pai daquele grande sambista que ainda virei a conhecer. Diz sobre o homem cordial, que para José Miguel Wisnik, é a chave para entender o brasileiro:
"A contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade - daremos ao mundo o homem cordial. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam com efeito, um traço do caráter brasileiro (...) Seria engano supor que essas virtudes possam significar `boas maneiras`, civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante."