Vivo em São Paulo. Vejo a cidade.
Ontem foi dia de buscar o sol. Estive no Parque da Independência captando imagens para o vídeo que devo apresentar semana que vem para a Josefina no Encontro de Fenomenologia da Metodista.
Pedalar faz você de fato ver a cidade.
A questão da visão. E aí tem, o vídeo.
Por trás da câmera parece que esta visão se amplia ainda mais.
A luz fugidia, os passantes e suas idiossincracias, o que é tão simples e trivial torna-se poesia em alguns poucos segundos.
Mas eu estou saindo de moto esta semana. Não é tanto o frio que me afastou da bicicleta neste mês, mas as chuvas que tem caído.
Tanto tempo trabalhando com entregas naquela McEscravidão ano passado já tinha me deixado com ânsia de vômito de andar de novo de moto. Agora parece que isso passou e ela está sendo bem útil.
Por que estou fazendo um vídeo sobre São Paulo?
Porque parece que estou "entendendo" esta cidade. E quero vê-la.

31 de Maio
Tem meu total apoio.
Reproduzo a mensagem enviada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer):
"O Dia Mundial Sem Tabaco - 31 de maio - foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o intuito de divulgar e sensibilizar o maior número possível de pessoas sobre os males causados pelo consumo do tabaco e seus derivados, bem como as estratégias envolvidas para sua promoção e produção.
Neste ano o tema escolhido é “TABACO E POBREZA, UM CÍRCULO VICIOSO”.
O cenário mundial hoje mostra que, na maioria dos países, existe uma correlação entre tabagismo, baixa renda e baixo nível de escolaridade. No Brasil, indivíduos com baixo nível de escolaridade têm probabilidade cinco vezes maior de serem fumantes do que indivíduos que têm o nível universitário.
Essa realidade faz com que entidades como o Banco Mundial, a Organização Mundial de Saúde, e outras entidades ligadas as Nações Unidas considerem o consumo de tabaco como um fator agravante da pobreza, da fome e da desnutrição e, assim, da ampliação da desigualdade entre pobres e ricos.
Portanto, este é um tema de abordagem relevante a todo o nosso País.
Comemore conosco esse dia!!! Não fume, peça que seus amigos não fumem. Lembre-se que sua maior riqueza é a sua SAÚDE"
Só dois pontos.
1)A OMS ESTIMA QUE ATÉ 2025, O CIGARRO MATARÁ 500 MILHÕES DE PESSOAS EM TODO O MUNDO. DESSE TOTAL, 200 MILHÕES SERÃO DE ADOLESCENTES E CRIANÇAS.
2) "É patética a maneira como as juventudes frustradas, de modo especial para nós, habitantes de um terceiro mundo endividado, são um caldo de cultura altamente favorável para a indução a estas dependências-escravidões, sob o cartaz enganoso de uma rebelião juvenil, que, nada mais é do que uma submissao." (Eduardo Kalina)
Do site newscotina
Do porquê parei de fumar
"Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios". Oscar Wilde
Vou precisar de muito mais nesses entrecaminhos da vida do que formas perfeitas - ou imperfeitas - desse prazer, ou já dizendo, desse iludir-se até o pescoço, pois se for para seguir na ilusão, que seja com meu coraçãozinho VIVO; ele e seu tamborilar amigo.
Vou precisar de cada milímetro de ar pois a viagem não será curta de se sentir.
Voltando pra casa
E então eu estava ontem à noite voltando do Centro Cultural na Vergueiro, onde tive minha primeira aula de canto com a oficina da May.
Duas câmaras furadas e aquela chuva que não parava. Porra, eu queria chegar logo em casa, dirigi-me ao que me movia:
- Rodrigo Conelheiro, cê aguenta me levar de volta?
Fiz que sim com a cabeça e então seguimos.
"Todas as coisas, surgidas do opaco.
Sustentava-se delas sua incessante alegria, sob espécie sonhosa, bebida, em novos aumentos de amor."
Do conto As Margens da Alegria, de Guimarães Rosa.
Sobre labirintos de espelhos.
Além do lirismo desbragado (existe essa palavra?) o que admiro no Fish é sua agudeza crítica na visão do mundo e da política e em especial, quando do tema da dificuldade de comunicação entre as pessoas. Dá a impressão de alguém de olhos abertos (ou que tenta ao menos mantê-los abertos) num labirinto de espelhos que é isso tudo aqui.
O cara é um escocês barrigudo e gente boa (fui no show que fez aqui no Brasil anos atrás).
"Listen to me.
Just hear me out.
If..I could have your attention...
I get so confused.
And I don't understand.
I hnow you fell the same way.
You always want to say.
But you don't get the chance.
It's just a voice in the crowld...in the crowld."
Esta é "Vigil in the Wilderness of Mirrors", de seu trabalho já solo, pós-Marillion. "O Vigilante no Labirinto de Espelhos", soa meio pretensioso e acho que é assim mesmo, um pouco a herança daqueles tempos progressivos, e um pouco também, uma idéia que é boa.
De tudo o que tive na ESPM, acho que o que ficou foi ter conhecido Marillion. E foi através do polêmico e patriarcal Adriano Fonseca, hehe, camarada, meio inflexível, mas camarada. Meu abraço.
E então, no final da Vigil, eu sempre ficava imaginando o que o Fish queria dizer com "the best weapon is truth", ou, que a melhor arma é a verdade. O que seria a verdade? Não me parecia importante de modo algum.
E agora, acho que entendo o que seja isso. Não tenho a menor capacidade de dizer o que quer que seja a respeito da "verdade". Nem aqui, nem em qualquer lugar. Pois a verdade não pode ser enunciada sem que perca seu significado, seu valor como "arma". Entendo isso, não sei bem o que. Entendo, que apesar dessa imprecisão, existe verdade e existe mentira.
Here I Am
"So here I am once more in the playground of the brokenheart".
Assim começa "Script for a Jester's Tears", uma obra prima do Marillion com o Fish nos vocais e na alma.
É o começo perfeito de uma música, e como é trágico! De volta nessa gangorra dos corações partidos...Parece bobo, e talvez seja um pouco. É também bonito.
Fish encarnado no romântico-até-o-osso, nos faz acreditar que é tarde demais para o amor e que o jogo está acabado. O que sobrou então? Somente as lágrimas do bufão, o jester. Oh!
Cá estamos de vorta! Uêêê!
"Eccomi di nuovo qui nel giardino dei cuori infranti".
Construção
Falta tempo, e por enquanto, essa página está que está um belo de um caos.
Assim que rolar, vou scanear umas fotos com o Felipe e ponho aqui.
Não é fotoblog, mas é bom ter umas fotinhas, né?
Meu avô.
Uma vez fui à casa do meu avo. Com tanta idade, certamente ele devia possuir dentro de si, em alguma gaveta especial afastada da esclerose que o acometeu há tanto tempo, a sabedoria que os mais velhos possuem.
Assim eu pensava. E saí de lá com muita raiva naquele dia e com outro pensamento porque não havia sabedoria nenhuma, não havia nada ali que não fossem reminiscencias ou fragmentos de um outro tempo constantemente recorrentes.
O que eu queria? Eu queria me ligar a alguma "raíz", meu único avo vivo. De alguma forma, isso parecia muito importante. E o que havia era só o de sempre, o distanciamento da realidade, a perda de memória, um vulto de alguém que nunca conheci. Foi horrível.
Hoje foi diferente. Conversei com ele como se conversasse com um desconhecido, pois assim é o que de fato ocorre. E vi ali não alguém que devesse ser "sábio" por que tinha idade nas costas. Com o sangue frio, olhei pra ele, falei com ele, e foi tudo bem.
Acometida por uma doença degenerativa terrível, era uma pessoa que estava ali comigo. Só uma pessoa.
Foto de Sebastião Salgado, http://www.techway.com.br